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Palmeiras e Flamengo viram Barça e Real no Brasil

Ricos e organizados, Verdão e Mengão encabeçam o processo de espanholização do futebol brasileiro

Por: Heitor Ornelas  -  08/03/21  -  19:55
Atualizado em 08/03/21 - 20:00
Palmeiras comemora o tetra da Copa do Brasil e estabelece hegemonia ao lado do Flamengo
Palmeiras comemora o tetra da Copa do Brasil e estabelece hegemonia ao lado do Flamengo   Foto: Cesar Greco/Palmeiras

Deu a lógica na final da Copa do Brasil. Depois de vencer o Grêmio em Porto Alegre, no jogo de ida, o Palmeiras repetiu a dose em casa e conquistou o tetracampeonato. Há cerca de dez dias, quem comemorou a conquista do Brasileiro foi o Flamengo. E assim, com os dois times mais ricos e organizados se alternando no topo do pódio, o Brasil, outrora reconhecido por ter o futebol mais equilibrado do mundo, se transforma em uma espécie de Espanha, onde a distância de Real Madrid e Barcelona para os demais é gigantesca, em que pese a eventual liderança do Atlético de Madrid no atual Campeonato Espanhol.


Nos últimos cinco anos, o Palmeiras ganhou dois Brasileiros, duas Copas do Brasil, uma Libertadores e um Paulista. O Flamengo faturou dois Brasileiros, uma Libertadores e três estaduais. Ainda que o futebol em campo esteja longe do que se pratica nos principais centros da Europa, a dupla deixa a concorrência comendo poeira.


A receita do sucesso de ambos é bastante conhecida, mas, por incrível que pareça, não parece servir de exemplo para os demais. O caso do Flamengo é mais emblemático. Após anos de sacrifíco ajustando as finanças e refinando a gestão, o clube enfim deu uma resposta à altura de quem conta com a maior torcida do Brasil. O título brasileiro de 2020 não veio da maneira encantadora como na temporada anterior, mas, mesmo assim, os torcedores puderam festejar.


O Palmeiras não chegou lá sozinho, é verdade. Como nos tempos vitoriosos da Parmalat, foi preciso um parceiro endinheirado, no caso a Crefisa, para fazer a diferença. E antes da chegada da patrocinadora, o presidente Paulo Nobre já havia investido mais de R$ 100 milhões do próprio bolso para tirar um time que flertou com o rebaixamento do sufoco. Seja como for, a direção palmeirense soube aproveitar os recursos para empilhar taças. Se dentro de campo o futebol não é de Real Madrid, em matéria de gestão o talento é indiscutível - a moderna arena do clube é um exemplo claro, assim como a ascensão de jogadores da base, uma novidade na trajetória palmeirense.


Palmeiras e Flamengo abrem distância num momento que pode ser definitivo. Afinal, não bastasse tropeçar nas próprias pernas, a concorrência se vê ainda mais impossibilitada de oferecer resistência por causa da pandemia, que reduziu significativamente a verba no futebol. 


Perdidas, assistindo aos triunfos dos rivais, potências do porte de Botafogo, Vasco e Cruzeiro se preparam para disputar mais uma Série B. Fora da UTI, mas com muita disposição de chegar lá, São Paulo, Santos, Corinthians e Fluminense acumulam derrotas, eliminações e dívidas quase impagáveis. Destes, o Corinthians tem a atenuante de vir da fase mais vencedora de sua história, entre 2011 e 2019. O Santos, ao menos, parece ter um presidente ciente das dificuldades e disposto a fazer diferente. Ele demonstra saber que, se der sequência ao descalabro dos últimos anos, cedo ou tarde a bomba vai estourar. No Morumbi e nas Laranjeiras, não. Por lá, tudo parece bem, num apego resistente ao amadorismo e ao fracasso, com a venda de jovens promessas se assemelhando ao bombeiro que apaga o incêndio com um copo d'água.


Entretanto, enquanto palmeirenses e flamenguistas comemoram, nem todo mundo bate cabeça. Grêmio, Internacional, Athletico-PR, Bahia e Ceará tentam ser eficientes dentro e fora de campo. Além disso, o Atlético-MG, com pouca qualidade na gestão, mas muito dinheiro de um patrocinador/torcedor, ensaia se tornar vencedor. E tem também o Bragantino, um nanico abraçado por uma marca mundial que pode ir mais longe se a parceria não for um negócio de ocasião.


Até que o panorama mude, Palmeiras e Flamengo comprovam que a Espanha é aqui.


Este artigo é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a linha editorial e ideológica do Grupo Tribuna. As empresas que formam o Grupo Tribuna não se responsabilizam e nem podem ser responsabilizadas pelos artigos publicados neste espaço.
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