Os desafios da união Santos-Sampaoli

Clube e técnico selam parceria que potencializa riscos, mas cria expectativa positiva

Por: Régis Querino  -  20/12/18  -  00:51
Sampaoli assinou o contrato na noite de segunda-feira, em São Paulo
Sampaoli assinou o contrato na noite de segunda-feira, em São Paulo   Foto: Divulgação / Santos FC

A aposta no técnico argentino Jorge Sampaoli é, sem dúvida, uma tacada arrojada da direção santista. Em meio à mesmice que impera no mercado brasileiro, com a manjada ciranda dos velhos treinadores, o Alvinegro foi em busca de um profissional de renome.


A escolha, no entanto, implica no aumento do risco quando se pensa no imediatismo de resultados que o futebol brasileiro exige. Erradamente, mas exige. Neste mesmo espaço, na semana passada, escrevi que um técnico gringo teria que se submeter ao nosso calendário maluco e a uma cultura que não perdoa o fracasso.


Se Sampaoli é um nome de peso, por outro lado vive há três anos um período de vacas magras. Conquistou o seu último título (e talvez o mais importante) em 2015: o de campeão da Copa América com a seleção chilena.


De lá para cá, o argentino teve uma passagem discreta pelo Sevilla, da Espanha, e outra para esquecer, no comando da seleção argentina, quando enfrentou até um motim de jogadores durante a Copa da Rússia.


Neste aspecto, Sampaoli e Santos vivem momentos parecidos. O Alvinegro vem há dois anos sem levantar uma taça e após um ano conturbado, busca um reposicionamento no cenário nacional na temporada 2019.


Assim como o técnico argentino, que vai tentar reviver os melhores momentos de sua carreira, quando dirigiu o Universidad de Chile e conquistou títulos nacionais e a Copa Sul-Americana com a equipe, em 2011/2012.


O discurso do técnico na apresentação, na última terça-feira, no Museu do Futebol, em São Paulo, soou como música aos ouvidos santistas. Pregando o futebol ofensivo, Sampaoli se rendeu à história e tradição da equipe de Vila Belmiro.


Resta saber se, na prática, o técnico terá nas mãos um elenco que lhe proporcione executar o que ele pensa a respeito de futebol. E se a direção, que fechou um contrato de dois anos com o técnico, e os torcedores terão paciência para que o time “a la Sampaoli” engrene.


Considerando o desafio de comandar o Santos como o mais importante de sua carreira, por ser o próximo, Sampaoli sabe que após dois trabalhos sem sucesso, precisa provar que seu nome não é apenas uma grife de mercado. Nessa união de riscos, está aí um bom trunfo para o Santos.


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