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Futebol é essencial?

Assistir ao Campeonato Paulista é um alento para o torcedor ou um risco para todos os profissionais envolvidos?

Por: Bruno Gutierrez  -  03/03/21  -  19:26
Campeonato Paulista irão será paralisado, mesmo com fase vermelha
Campeonato Paulista irão será paralisado, mesmo com fase vermelha   Foto: Ivan Storti/Santos FC

Tudo bem que, para muitos, o futebol é uma religião. Porém, é tão importante para ser tratado ao mesmo nível que um serviço essencial na pandemia? 


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O governador de São Paulo, João Doria, colocou o estado inteiro na fase vermelha do Plano São Paulo. Este é o nível máximo de restrição, onde somente serviços essenciais podem permanecer funcionando. Na teoria, ficam autorizados os setores da saúde, transporte, imprensa, estabelecimentos como padarias, mercados e farmácias. Por meio de decretos estaduais, escolas e atividades religiosas foram incluídas na lista.


Já não concordo com a questão das escolas e atividades religiosas. No primeiro, não é só a questão da escola em si, mas o fato de envolver uma série de profissionais, alunos e pais que estarão se locomovendo, utilizando o transporte público e tendo contato com muitas pessoas, elevando o risco. Atividade religiosa, então, nem se fala. Creio que você não precise de um templo ou igreja para orar, buscar a espiritualidade, etc.


Porém, ao que tudo indica, o futebol também entrou como essencial. Segundo o membro do Centro Contingência do Coronavírus em São Paulo, José Medina, partidas do Campeonato Paulista e a final da Copa do Brasil, marcada para este domingo (7), poderão ser realizadas sem contratempos, seguindo os protocolos de saúde e com portões fechados e ambiente monitorado.


Segundo Medina, a manutenção do calendário do futebol é um alento para o brasileiro. Parece até piada. Um dia antes, o Corinthians confirmou um surto de covid-19 em atletas e funcionários do clube, o que aumentou a lista de desfalques para a disputa do clássico contra o Palmeiras.


Durante o Campeonato Brasileiro, diversos clube sofreram com a doença. O Palmeiras chegou a ter quase 20 desfalques. O Santos também passou por um momento de jogadores infectados. Num campeonato estadual, com viagens pelo estado, passando por regiões que estão em estado crítico, é ponderável seguir com o futebol? Esse é o alento? 


Assim como no caso das escolas, são diversos profissionais envolvidos na realização de um simples jogo de futebol. O quanto vale a vida desses trabalhadores para "alentar" ao paulista? Sem contar que não é somente um, mas três campeonatos de séries A-1, A-2 e A-3 realizados simultaneamente. 


Além de tudo, se analisarmos fora a covid, somente pelo olhar técnico, piora. O futebol brasileiro vive dias terríveis dentro do campo. Qual alento seria acompanhar o possante Campeonato Paulista? 


Com todo o respeito aos profissionais que trabalham no Centro de Contingência ao Coronavírus em SP, mas está sendo feito, novamente, um trabalho meia bomba e porco. O futebol estadual não alenta a ninguém, a pandemia ainda não acabou e, ao que tudo indica, ainda irá piorar muito antes de melhorar.


Este artigo é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a linha editorial e ideológica do Grupo Tribuna. As empresas que formam o Grupo Tribuna não se responsabilizam e nem podem ser responsabilizadas pelos artigos publicados neste espaço.
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