Chega de desculpas e evasivas

Diretoria, comissão técnica e elenco santista usaram e abusaram da paciência da torcida em 2018

Por: Régis Querino  -  21/11/18  -  00:50
Cuca contribui para o fracasso do time nesta reta final do campeonato
Cuca contribui para o fracasso do time nesta reta final do campeonato   Foto: Ivan Storti/Santos FC

Em um final de temporada melancólico, a comissão técnica e o elenco santista já esgotaram o estoque de desculpas (e a paciência da torcida) em 2018. Para quem brigava, quatro rodadas atrás, por uma vaga na pré-Libertadores, terminar o Brasileirão, ao que tudo indica, no meio da tabela, é vexatório.


Há que se lembrar a avalanche de desfalques (por contusões, cartões ou convocações dos gringos às suas respectivas seleções) nas últimas três rodadas. Mas não dá para aliviar a falta de atitude da equipe em campo nas derrotas para Chapecoense e América-MG, dois candidatos ao rebaixamento.


Também não dá para livrar a barra do técnico Cuca. Um dos treinadores mais gabaritados e vencedores do futebol brasileiro nos últimos anos, Cuca, ao que parece, perdeu a mão. E mais. Perdeu o ânimo, dadas as suas últimas entrevistas pós-jogo, em tom desolador.


Apesar de não fugir da responsabilidade, chamando para si os maus resultados, Cuca contribui para o fracasso do time nesta reta final do campeonato. Na ausência de Luiz Felipe e Lucas Veríssimo, contundidos, insistiu em improvisar Alison ou Yuri na zaga. Quando tinha no banco o garoto da base Kaíque Rocha, zagueiro de ofício.


Contra o Flamengo, até concordo com o argumento do treinador em não escalar o garoto, pelo peso de uma estreia em um Maracanã lotado. Mas não dá para escalar o moleque contra o América-MG no Independência, com 5 mil torcedores no estádio?


No meio-campo, diante dos desfalques, o técnico também repete uma formação que já se mostrou ineficiente, sem um meia-armador nato. Rodrygo, que não rende nem em sua posição original, no ataque, desde que foi negociado com o Real Madrid, já mostrou que não vai resolver o problema crônico de criação no setor.


Jean Mota e Gabriel Calabres, meias de origem, nunca tiveram a chance sequer de iniciar uma partida com o técnico. Não que ambos sejam craques, longe disso. Mas ao menos são da posição e poderiam ter oportunidades para mostrar se servem ou não à função.


Apesar das opções, Cuca mantém a escalação com quatro atacantes. E o meio-campo segue. Desarticulado. No entanto, se alguns não têm chance na equipe, o volante Yuri e o atacante Arthur Gomes, que pouco justificam suas presenças no elenco, têm sido escalados nas últimas partidas. Vai entender...


O que será o amanhã?


Juntando os cacos, o Santos tem a essa altura do Brasileirão chances remotas de classificação à pré-Libertadores. E o compromisso de, ao menos, honrar a camisa nos três últimos jogos para diminuir a ira da torcida, frustrada com mais uma temporada sem título. Mas recheada de derrotas: foram 23 em 65 jogos em 2018, número alto para qualquer time grande que se preze.


Time, aliás, que tem usado e abusado da paciência do torcedor. Não apenas com atuações pífias em campo, como nas palavras pós-jogo. Como as proferidas pelo lateral Dodô depois da derrota para o América.


Dizendo que os bastidores da política do clube atrapalharam a equipe, ele jogou a toalha pela vaga à Libertadores, ao dizer que não poderia enganar o torcedor. Ora, Dodô, enganar o time vem enganando desde o início do ano. Época pré-crise política, ainda com Jair Ventura no comando.


Pior do que a fala de Dodô somente a do técnico Cuca. Após a mesma partida, ele disse em sua entrevista coletiva que o Santos tinha que agradecer por ainda não estar brigando contra o descenso, dando a entender que, se estivesse, talvez não escaparia do rebaixamento.


Cuca, outrora embalado nos braços da torcida, vem sendo atacado em vários grupos de santistas nas redes sociais, pelas más atuações da equipe. E por também não ter a coragem de dizer, com todas as letras, se fica ou não na equipe em 2019. Sempre que perguntado, só dá evasivas. O que soa como um “até a próxima” ao final do Brasileirão.


Em meio a tantas atribulações, o presidente José Carlos Peres, que teve um primeiro ano ainda mais conturbado, dá a sua parcela para o cenário caótico. Além de todos os problemas que se viu envolvido durante a temporada, vive reclamando da falta de recursos e das dívidas de gestões anteriores, mas parece disposto a bancar cerca de R$ 600 mil de salários para Diego, do Flamengo.


Meia que, pelo futebol que tem jogado, já não justifica tamanho investimento. O cartola garante ainda que vai manter Dodô, pagando R$ 450 mil (ou mais) mensais por um jogador que mais se destaca nas suas aparições em mídias sociais do que nas partidas do time.


Diante deste cenário desanimador e sem dinheiro, os santistas ficam a se perguntar: como será 2019? Que os deuses do futebol tenham, mais uma vez, piedade de nós.


Este artigo é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a linha editorial e ideológica do Grupo Tribuna. As empresas que formam o Grupo Tribuna não se responsabilizam e nem podem ser responsabilizadas pelos artigos publicados neste espaço.
Ver todos os colunistas
Logo A Tribuna