(FreePik) Só não se reelege deputado estadual, federal ou senador quem não quer. É a impressão que fica ao se analisar a vantagem que políticos com mandato têm em relação aos aspirantes ao Poder Legislativo. Enquanto quem pretende entrar na política luta por apoio de pessoas físicas ou por migalhas de verba partidária para campanhas — a menos que seja considerado um potencial puxador de votos, e a sigla despeje dinheiro nele —, os já eleitos vivem em campanha permanente com verba pública. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Mal comparando, é como a disputa de vagas em uma faculdade concorridíssima. O deputado com mandato, que dispõe de cota financeira para exercer o mandato e pode indicar emendas milionárias ao Orçamento, equivale ao estudante que sempre cursou colégio particular de mensalidades caras e pode se dedicar só às aulas, por não precisar trabalhar. O candidato ‘qualquer’ será como um aluno pobre de escola periférica e que ajuda no sustento da casa. Haja meritocracia na escola da política. Não se está dizendo que todos os políticos vivem deitados na cama do dinheiro do contribuinte. Mas, por ignorar o funcionamento desse sistema — palavra que mal-intencionados têm usado para classificar adversários, enquanto o tal ‘sistema’ são eles mesmos — ou por defender irracionalmente um lado apenas por não gostar de outro, talvez não passe pela cabeça de muitos cidadãos que quase todo gasto em atividade política e em ações partidárias é bancado por você, pagador de impostos. Aquelas postagens de deputados com textos gritantes e trechos de vídeos defendendo Trump por invadir a Venezuela, que destacam programas jornalísticos e editam a mesmíssima parte deles para publicar textos enviesados defendendo ou atacando Bolsonaro ou Lula, que mostram o parlamentar viajando para uma enormidade de cidades para conversar com políticos locais ou cumprimentando pessoas em calçadas e feiras livres, tudo isso é exemplo de uso de dinheiro público em propaganda. Você está em uma lista de transmissão de WhatsApp ou Telegram com notícias de seu deputado favorito? Pois custeou a produção e o envio dela. Seu parlamentar de preferência mandou dizer que esteve em uma reunião partidária para planejar os rumos do País? Adivinhe: você pagou. O detentor de mandato eletivo do qual você gosta e segue na internet percorreu municípios a não mais poder para mostrar serviço? Combustível, comida, aluguel de carros ficaram por conta do cidadão. E, se esse político de seu bem-querer fica cansado e precisa voltar para casa para recarregar as baterias, visto que ninguém é de ferro, pode muito bem usar até oito voos por mês, o que dá quatro fins de semana, para deixar Brasília e voltar a seu Estado, e vice-versa. Ele até compra a passagem, mas é você quem vai reembolsar a despesa que ele tem. O grande mal é que tudo está dentro da lei, e quem legisla sobre salários e benefícios de políticos são eles próprios. Se é ilusão pensar que se deveria eleger alguém que prometesse o fim de privilégios, não reeleger quem vive de brisa serve como opção.