(Antonio Cruz/Agência Brasil) Ao mesmo tempo em que se dividem sobre o fim da escala de trabalho 6 x 1, deputados federais e senadores aproveitam o ócio, por um mês e meio agora e por 15 a 20 dias na temporada outono/inverno, antes de bradar ao público por que são contra ou a favor da proposta. E, como em todo ano eleitoral, caçarão o voto do contribuinte pagador de seus vencimentos e vantagens sem deixar de recebê-los enquanto estiverem em campanha pelo atual ou por outro mandato. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! No fantástico mundo dos sonhos e da imaginação, congressistas atuais e aspirantes a políticos estariam prometendo e trabalhando pelo fim dos benefícios amplos, gerais e quase irrestritos que lhes são pagos em acréscimo a um salário bruto aproximado de R\$ 46 mil. Carro com motorista, reembolso de gastos com combustível e alimentação própria e de sua equipe em deslocamentos, apartamento funcional (ou auxílio-aluguel), passagens aéreas ao Estado de origem, assessores. Todo deputado ou senador é uma pequena empresa estatal. Se mantém escritório estruturado em seu reduto parlamentar, a Câmara ou o Senado lhe banca a locação. Se manda correspondências, há cota para tal. Ainda que despesas com telefonemas tenham caído por causa da existência de aplicativos de mensagens e chamadas, a internet não é de graça (na verdade, para você, cidadão que a custeia). Com tudo isso de bandeja, políticos vivem despreocupados com a realidade da sobrevivência. Parte dos congressistas protestaria contra os parágrafos anteriores, alegando viver como formigas, em permanente luta pelo bem do povo, seja para lhe assegurar bem-estar ou o questionável conceito de liberdade que dizem defender (há quem queira compartilhar mentiras em defesa de seu político de estimação, mas não saiba como pagará o aluguel; o do parlamentar está garantido pelo eleitor agoniado, que respira impostos). Mas, na verdade, levam vida de cigarras: cantam e bailam. Vá à rede social de um político que você conhece. Ele ou ela estará publicando stories com temas como estes: chegando ao trabalho (caminhando por um longo corredor, acenando e, com rosto contrito, ouvindo algum assessor); reunindo-se com políticos; indo a encontros partidários em cidades nas quais não têm base eleitoral; frequentando uma roda de samba, uma festa com churrasco, um jogo de futebol de várzea ou um café/almoço/jantar em uma instituição comunitária. Tudo isso são esforços para mostrar, com o charme dos efeitos especiais acrescentados em redes sociais, que essas pessoas, injustificadamente privilegiadas por uma imensidão de recursos cujo fim é lhes assegurar campanha pessoal permanente, são ‘do povo’. Mas o ‘povo’ não tem auxílio-moradia nem vale-combustível. Vai trabalhar de ônibus ou outra condução própria. Paga aluguel ou casa própria cujo valor devora o salário. Economiza o quase impossível para uma dor de barriga. Sendo a vontade do cidadão, políticos deveriam cortar esses bilhões desperdiçados em privilégios. O eleitor deveria exigir o fim desta república com monarcas no três poderes.