(Vanessa Rodrigues/ Arquivo/ AT) Ao admitir que convidou o deputado federal Paulo Alexandre Barbosa a trocar o PSDB para o Republicanos, o governador Tarcísio de Freitas, que está nesse partido, parece querer expandir seu apoio no eleitorado. Isso desfaz a impressão inicial de que a deputada federal Rosana Valle, duplamente aliada de Freitas — por se mostrar próxima dele e, sobretudo, pela aliança de ambos com o ex-presidente Jair Bolsonaro —, estaria com preferência ameaçada perante o público. Em uma reflexão mais profunda, o convite dá a entender que Freitas está tentando se tornar maior. Não que a criatura queira ou possa superar seu criador, Bolsonaro, a quem deve sua vitória em São Paulo. O que o governador parece querer é se desamarrar da dependência que tem do ex-governante e se transformar em um personagem de ideias e planos próprios, inclusive diante da possibilidade de ser o nome mais à direita na disputa do próximo ano pelo Palácio do Planalto. Na busca por ampliar sua rede de apoios políticos em potencial, Tarcísio de Freitas mostra que o tempo do homem ‘técnico’ passou. Exercita a política partidária, com a visão tradicional de que, quanto mais, melhor, e menos espaço se deixaria a adversários. Mas, em relação ao eleitor, nem sempre dá certo. Manifestações em redes sociais, convertidas em palanque até de quem não disputa votos, indicam, em parte, que eleitores de Barbosa não gostariam de vê-lo com Freitas, e vice-versa. O aparente descontentamento de apoiadores do governador e do deputado é sinal da cristalização de visões que não são verdade absoluta, mas aquilo em que muitos creem: que Freitas é cria de Bolsonaro e teria dívida de gratidão com ele; andar com Barbosa seria desonra ou traição de princípios, pois o tucano não é bolsonarista e, até, rechaça a ideia; o deputado, oponente político de Rosana, virou uma espécie de respiro, mesmo na esquerda, ao direitismo para o qual a região pende. Por mais educada que tenha sido a postura de Barbosa — ao ser chamado de “craque”, “camisa 10” e recebido deferência quando o governador procurou por ele na entrevista coletiva, em Cubatão, na qual admitiu o convite ao tucano, com Rosana Valle ao lado de Freitas e a tudo ouvindo com visível constrangimento —, ela não é definitiva. Do deputado, um compromisso: estará com Freitas no projeto político que este liderar. Mas, ao dizer que está “conversando”, manteve portas abertas. E um acesso difícil de fechar sem aborrecimentos é com o vice-presidente Geraldo Alckmin, que teve em Barbosa um aliado e um secretário de Estado, em mais de uma pasta, nas vezes em que foi governador. Alckmin, hoje no PSB e vice do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não caminhará com Tarcísio de Freitas se este tentar a reeleição e, ainda mais claramente, estará distante do governador no caso de este concorrer ao Planalto. Por serem todos políticos, não importando os significados que essa atividade comporta, haverá ajustes. Só se saberá se funcionarão daqui a um ano. Ao eleitor, que seja fiel consigo mesmo.