(Lula Marques/Agência Brasil) Uma frase batida: o jornalismo é o rascunho da história. Os fatos se consolidam como realmente são quando estão mortas as paixões da época que se retrata e as pessoas que nela viveram. Quem lê a seção A Tribuna nos Anos 1980 e estivesse, naquele tempo, em sua plenitude física e mental deve ter um pouco de cada sentimento, a depender da notícia. É possível, até, que se pergunte como foi possível sobreviver às decisões de certa gente graúda, mas com mente miúda, e se ria disso: passou. Nem todo acontecimento histórico tem graça, nem terá. Será assim com quem vir uma hipotética seção A Tribuna nos Anos 2020 e se deparar com resumos das edições a partir de junho de 2025, incluindo este agosto que começa hoje. Nelas, estarão registros da subserviência, do mau-caratismo, da inutilidade, do falso patriotismo, do desmascaramento da grande mentira moral e cívica, todos travestidos em um oitentão (porque, hoje, ele é um quarentão) chamado Eduardo Nantes Bolsonaro. A picaretagem em mais alto nível estará nas páginas que se rascunham. Ficará registrado como se converteu em canto de sereia para um saqueador internacional que atende pelo nome de Donald John Trump, cuja nação, os Estados Unidos, são por ele jogadas em indignidade de confiança. Mas, como diz ele a respeito dos tarifaços impostos ao mundo, “eu posso”. Eduardo Bolsonaro não pode nem deve: é um lesa-pátria que abandonou o serviço ao País para ‘dar o serviço’ a outro. Eduardo, porém, é uma peça na máquina que a família Bolsonaro faz girar para si — incluindo a inclassificável disposição para que os Estados Unidos intervenham no Brasil a fim de impedir a condenação do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, pela cristalina tentativa de golpe de Estado em 2022. E que falhou por incapacidade dos executores. Imagine: deixar pistas imprimindo plano golpista em uma impressora do Palácio do Planalto. Veja a ditadura a que pretendiam nos sujeitar. Contudo, também se lerá, na imaginada seção dos Anos 2020, que houve políticos oposicionistas criticando o Governo por não “dialogar” com Trump para tentar reverter a taxação que este inventou, usando Bolsonaro como bode expiatório. Porque Trump não está nem aí para nenhum Bolsonaro: o que ele não quer é concorrência econômica, tirando-se o dólar, a moeda do país dele, da base para transações internacionais. O Brics, que tem o Brasil, mas muito acima, a China, este, sim, o abala. Ainda que só para a morte não haja remédio, nenhuma das ameaças de Trump impedirá algo de interesse público e que será benéfico ao futuro de cada brasileiro, mesmo ao dos que discordam disto: a punição, que se espera superior à das “velhinhas com Bíblias” do imaginário bolsonarista, a Jair Messias Bolsonaro. Não só a ele, mas a civis e militares que lhe deram suporte e submissão. A retirada desses elementos da vida em sociedade permitirá ao País se concentrar nos próprios problemas, não mais nos de uma família que, preguiçosa e moralmente indigente, fez do “amor à Pátria”, entre aspas, uma doença.