(Gerado por IA) A eleição de amanhã para a Presidência da Câmara Federal está definida em favor do paraibano Hugo Motta, do Republicanos. Isso acontecerá porque todos os supostos espectros políticos e ideológicos se reuniram em torno dele. ‘Supostos’ pelo fato de que a ideologia nessa união nada improvável é em torno de nacos de poder no comando do Legislativo, com vice-presidências, secretarias, comissões (não de dinheiro, mas parlamentares). Daí se explica a razão de, em um mesmo jantar em uma pizzaria paulistana, terem estado lá os três deputados federais que representam a Baixada Santista: os antagonistas Paulo Alexandre Barbosa (PSDB) e Rosana Valle (PL) e o parlamentar Carlos Alberto da Cunha, o Delegado Da Cunha (PP). É difícil, sem consultar arquivos, se lembrar de quando o trio foi visto junto ou, pelo menos no mesmo ambiente, em alguma iniciativa, inauguração ou um evento em uma cidade local. Os aparentemente opostos se atraem pelo motivo de que o centrão legislativo é um bloco de gelo que derrete com o calor da política de cargos e emendas ao Orçamento. A água que dele sai invade territórios quase que extremos. As exceções são ilhas compostas por filiados ao PSOL, que tende a manter sua candidatura à direção da Casa para marcar posição, e políticos mais fiéis a si mesmos. No Senado, o astronauta Marcos Pontes, contrariando o PL, quer fazer valer o direito de concorrer. Nesta semana, houve um fato e uma especulação com os mesmos personagens: Rosana Valle e o deputado estadual Matheus Coimbra Martins de Aguiar, o Tenente Coimbra. Ambos coordenam o PL na Baixada. O acontecimento foi o anúncio, pela assessoria da deputada, da proposta de transformar o prédio do antigo colégio Escolástica Rosa em uma escola militar. No mesmo dia, postou-se vídeo mostrando que Coimbra esteve no edifício, dizendo ao vereador liberal Allison Sales ter citado a ideia em 2024. A especulação consistiu em um balão de ensaio que, extraoficialmente, partiu do PL. Trata-se da possível pré-candidatura de Rosana Valle ao Senado ou a vice-governadora — para vice, já se cogitou em 2022. Elementos a considerar: 1) Ainda que haja duas vagas em disputa no Senado no ano que vem, é coisa para quem consegue, pelo menos, 6 milhões de votos; 2) Se Rosana não fosse à reeleição, Coimbra teria espaço livre para tentar Brasília; 3) Que será do bolsonarismo em 2026? O ex-deputado federal Beto Mansur, que em Santos sempre teve disputas políticas polarizadas com o PT da ex-prefeita Telma de Souza, afirmou em uma antiga entrevista que não há inimigos em política. Praia Grande não o deixa mentir: a vereadora Janaina Ballaris (União), crítica histórica do prefeito Alberto Mourão (MDB), é hoje sua vice-líder na Câmara. O ex-deputado federal Vicente Cascione, não alinhado ao PT, foi vice-líder do Governo Lula em Brasília. Talvez tenha faltado concluir que, em política, também não há amizade, mas interesses, cada qual com seu grau de legitimidade. Por eles, opostos se unem. E aliados dizem “até logo”.