(Vanessa Rodrigues/AT) Salvo por uma catástrofe, Rosana Valle está reeleita à Câmara Federal em 2026. Mesmo faltando dez meses para as próximas eleições, ela conquistou parcela suficiente de eleitores — em especial, aqueles convictos, indevidamente, de que o ex-presidente Jair Bolsonaro é um inocente injustiçado e a sala climatizada onde está preso equivale a uma masmorra — para conduzi-la a seu terceiro mandato consecutivo como deputada federal. Em âmbito nacional, seu peso político é limitado. A exemplo dos demais deputados da Baixada Santista, não está entre os parlamentares mais influentes no debate de questões nacionais nem tem poder suficiente de convencimento para a aprovação, no Congresso, de ideias próprias, originais. É uma pessoa de partido, fiel a ele e suas premissas e, por isso, uma integrante rígida e imóvel de um campo político. E, sobretudo, eleitoral, que rende votos. Por que, então, trocar o certo (no mínimo, a manutenção de um patamar equivalente aos 216 mil votos que obteve em 2022) pelo duvidoso, isto é, a possibilidade de concorrer ao Senado e precisar de uma votação de 30 a 50 vezes maior para alcançar uma das duas cadeiras a que cada Estado terá direito na disputa do próximo ano? Para se tornar senadora, bastará ser mulher? Andar para cima e para baixo com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro? Ser bolsonarista? É possível que sim. Portanto, é possível que não. Rosana evitou o duvidoso há quatro anos, quando o então pré-candidato a governador Tarcísio de Freitas, mesmo sendo do Republicanos, a convidou para deixar o Partido Socialista Brasileiro (PSB) e entrar no Partido Liberal (PL) com uma perspectiva: a de fazer parte, como vice, da chapa dele. Pensou nisso, mas, ao assinar a ficha de filiação, confirmou que tentaria a reeleição. Daí, Rosana não é a atual vice-governadora. Mas essa escolha foi pessoalmente boa para a deputada. Enquanto vice ou, mesmo, secretária de Estado — outra hipótese que se cogitou —, talvez não tivesse como se mover tanto por São Paulo e por outros estados, levando sua imagem pessoal e cada vez mais a atrelando ao casal Bolsonaro, ao mesmo tempo em que o mandato que lhe dá a possibilidade de uma boa assessoria e de uma estrutura para, como fazem todos os outros deputados, evidenciar seu discurso e sua boa oratória. Isso explica por que o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, aliado do PT nos dois primeiros mandatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que mudou de rumo após ser preso pelo escândalo do Mensalão, afirmou em público, ao lado de Rosana Valle, que “estamos testando também” o nome dela para o Senado. Então, não é o único nome, tanto dentro quanto fora do PL, para as duas fortes candidaturas que a direita pretende ter para essa Casa. O que se sabe é que, não importando quem concorrerá pelo PL, esta ou este terá à disposição uma rica estrutura, com cofres abarrotados. No ano passado, fez jus a R\$ 886 milhões do Fundo Eleitoral para campanhas País afora. É algo capaz de convencer muitos que têm dúvidas.