Foto ilustrativa (Antonio Augusto/ Ascom/ TSE) Quem acha que os resultados das eleições de 2026 estão sendo definidos pelos acontecimentos das últimas duas semanas — nas quais houve o julgamento de golpistas fracassados, o debate de uma anistia para criminosos, a vergonhosa aprovação da PEC da Blindagem por deputados, inclusive da região, e a ressurreição da esquerda e da ‘não direita’ em atos nas ruas — se engana. É sempre tudo inconstante na política brasileira, e há tempo para todos caírem do cavalo. Sobretudo, o eleitor. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Mas as notícias que dominam o cenário de 15 dias para cá têm servido para tirar políticos de cima do muro e a decidir o que pensam. Ou, melhor, a resolver como tentarão fazer o público acreditar que pensam. Diante do desastre de que não há quase ninguém com convicções próprias, disposto a expor seus pontos de vista sem medo de cara feia, os fatos recentes vêm sendo úteis para que pré-candidatos comecem a escolher a quem tentarão agradar e a lutar por um eleitorado específico. Nesse imensurável ‘centrão’ em que se transformou a atividade político-partidária, no sentido de que parlamentares proferem discursos mais por conveniência de momento do que por afinidade com as ideias que dizem defender, pré-candidatos ao Legislativo se aproximam de nichos de ‘mercado’. Ao perceber que determinada parcela da sociedade está insatisfeita com os rumos de algo e disposta a votar em quem mostre que poderá mudar isso, pré-concorrentes moldam suas falas e sua postura. Ainda sob a receita do centrismo, em que um político pode apoiar questões consideradas favoráveis ao Governo sem ser considerado governista, deputados procuram assuntos para mostrar que estão atentos aos desejos da maioria. Claro que bater na PEC da Blindagem é fácil: até mesmo uma parte dos oposicionistas admite que esse projeto era de uma sem-vergonhice extrema. Porém, quem votou contra o texto na Câmara sabia que essa era a vontade da maioria do eleitorado, e explorará isso. Como, então, o eleitor poderá ver o que realmente está dentro da embalagem colorida e reluzente na qual esse ‘produto’, o político, se apresenta? Verificando como ele tem se comportado fora do que ele ou ela expõe nas redes sociais, indo além dos sorrisos e das expressões indignadas com que se apresentam, conforme o tema da postagem. Fazendo um apanhado de projetos de maior relevância e verificando como esse político votou sobre meio ambiente, tributos, corrupção, impunidade. Não é a primeira vez que se sugere ao cidadão que acompanhe melhor a atividade política. Caso aceitasse a sugestão, estaria, se não blindado, protegido de aproveitadores que almejam os elevados salários e vantagens que o mandato oferece. E seria capaz de notar a existência de gente de boa vontade que poderia representar bem a população, por entender que um cargo público é uma honra e uma responsabilidade. Mas, se o eleitor também não vir honra e responsabilidade em seu voto — uma dura conquista — e na necessidade de saber o que a classe anda fazendo, servirá de blindagem a privilegiados.