(Imagem ilustrativa/ Pexels) Na semana passada, minha filha voltou da escola chateada. Tirou uma nota mais baixa em inglês. Em todas as outras matérias, estava com ótimo desempenho, mas aquela prova específica a incomodou. Quando entrou no carro, percebi no semblante um misto de frustração e autocobrança. No trajeto até o colégio — como já aconteceu em outras ocasiões —, a conversa se desenrolou de forma natural. Ela me contou sobre a prova, fez algumas observações e, no fim, soltou um desabafo singelo: “Não gosto de ir mal em nada.” Fiquei em silêncio por alguns segundos. Depois, lembrei a ela que a vida — e especialmente o trabalho — não nos brinda sempre com vitórias. Eu mesmo, no exercício da advocacia criminal, lido diariamente com absolvições e condenações, recursos que prosperam e outros que não. Há debates acalorados que se encerram em silêncio, e também defesas impecáveis que terminam em decisões equivocadas. O que vale, no final, é a consciência tranquila de um trabalho bem feito, com responsabilidade, ética e preparo. Ela ouviu com atenção. Entretanto, conhecendo o temperamento que herdou do pai, sorriu sem graça e disse que na próxima prova vai tirar nota máxima. Conheço bem esse espírito competitivo. Ela não gosta de perder absolutamente nada — e confesso que também não sou dos mais tranquilos nesse quesito. Mas o que tento ensinar, nesses pequenos diálogos do dia a dia, é que errar faz parte. Ninguém acerta sempre. E que, diante de um tropeço, o melhor que podemos fazer é olhar com honestidade para o que houve, aprender com aquilo e seguir em frente. O curioso é que tempos atrás ela havia me contado com orgulho que teve que apresentar uma atividade em inglês na frente da turma. Ficou nervosa, claro, mas foi lá e fez. Naquela ocasião, perguntei se sentiu medo. Ela respondeu que sim, mas que foi “assim mesmo”. Aproveitei para confidenciar: todas as vezes em que falei em público na vida, também senti medo. Sempre que subo à tribuna ou sustento oralmente um recurso, as pernas tremem um pouco. A diferença é que aprendi a caminhar, mesmo tremendo. Compartilhar isso com ela foi importante. Às vezes, os filhos acreditam que somos blindados contra o medo. Como se tivéssemos todas as respostas, contudo a verdade é que, como qualquer pessoa, também falhamos. E é justamente aí que mora a lição. O que importa é não permitir que o erro se torne espelho da nossa identidade. A coragem não está em jamais falhar, mas em seguir adiante, mesmo quando o mundo parece exigir de nós a perfeição. Ensinar isso é parte do nosso papel. Mostrar que perder faz parte, que a nota baixa acontece, que o tropeço não tira o valor do esforço. É preparando nossos filhos para essa travessia que os fortalecemos para o mundo. Um mundo onde nem sempre haverá aplausos, mas onde sempre haverá espaço para recomeçar. E, no fundo, talvez essa seja a nossa maior missão: plantar a ideia de que a dignidade não está apenas nas vitórias — mas, sobretudo, na forma como seguimos adiante depois das derrota