(FreePik) Escrever uma coluna semanal é, antes de tudo, um ato de entrega. Há quem imagine que se trata de organizar ideias em torno de um tema e redigi-las. Não é. É mostrar-se — aos poucos, e diante de muitos. É colocar sobre o papel aquilo que se pensa, o que se sente, o que se teme e aquilo que, ainda em estado de sonho, se deseja. É, em última análise, o exercício constante de falar com o outro por meio de si mesmo. E isso, posso afirmar, muda vidas. Sobretudo a minha. Desde o instante em que envio um novo texto ao jornal, já se instala em mim a inquietude da próxima reflexão. Não porque me faltem temas, mas porque me recuso a escrever por escrever. Não quero apenas cumprir prazos. Quero, honestamente, propor diálogos. Vivemos tempos rápidos demais, em que pensar parece desconfortável e refletir soa como luxo. Há um empobrecimento silencioso da nossa capacidade de questionar — e isso, mais do que nunca, exige de quem escreve um compromisso: não com a fórmula fácil, mas com a profundidade necessária. Escolho, semana após semana, falar daquilo que considero essencial. A família, as amizades, a passagem do tempo, o Direito, a infância — cada um desses temas carrega uma centelha de humanidade que me move e, espero, também mova quem me lê. Não escrevo para ditar regras, mas para dividir dúvidas. Para, talvez, acender uma vela em meio à escuridão das certezas absolutas. Quero que meus textos sejam como pequenas janelas abertas no cotidiano — não para mostrar uma vista perfeita, mas para permitir que o ar circule. Há, é claro, um custo emocional nesse ofício. Expor sentimentos e valores não é tarefa fácil. Em muitos momentos o silêncio parece mais confortável, mas aprendi que nem sempre é o certo a se fazer. Num mundo repleto de atalhos e frases de efeito, optar por falar de trabalho, esforço e ética soa quase anacrônico. Mas é por isso mesmo que insisto. O que precisa ser dito nem sempre é o mais cômodo — e, por isso, é também o mais relevante. Certa vez escrevi que redigir uma coluna é um ato de coragem. Hoje, percebo que é mais do que isso. É também um ato de humildade. Porque, ao tentar apontar caminhos, sou constantemente confrontado com minhas próprias falhas em segui-los. Escrevo sobre o que acredito, mas nem sempre consigo viver à altura de cada palavra. Essa distância entre o ideal e o possível, entre o texto e o gesto, é o que mais me desafia. E, talvez, o que mais me humanize. Escrever, para mim, é um exercício de convicção. É por meio dessa tarefa que reafirmo o compromisso com aquilo que é fundamental: o pensamento crítico, a escuta sensível e a construção coletiva de sentido. Esta coluna não é apenas um espaço de exposição de ideias — é um espaço de resistência diante da pressa e da superficialidade. Escrevo, não por vaidade ou obrigação, mas porque acredito que a palavra tem o poder de transformar. E é com a serenidade de quem respeita o próprio caminho que encerro cada coluna: alinhado ao que penso e atento ao que merece ser dito.