(Alexsander Ferraz/AT) O Porto de Santos, mais importante complexo portuário da América Latina, vive um momento decisivo com a expectativa da licitação do Tecon Santos 10. Trata-se de uma iniciativa com potencial transformador, do ponto de vista logístico e estratégico, em um setor que movimenta mais de 95% do comércio exterior brasileiro por volume. O novo terminal representa a ampliação da infraestrutura do País, com impactos diretos sobre competitividade, atração de investimentos e geração de empregos. Naturalmente, um processo dessa magnitude mobiliza os principais atores do setor portuário. São muitas as opiniões e posicionamentos — e isso é esperado em um ambiente democrático e de mercado. No entanto, é justamente nesses momentos que se faz necessário retomar os princípios fundamentais que norteiam um leilão público: o interesse público, a isonomia entre os concorrentes, a transparência, a legalidade e a busca pela proposta mais vantajosa à sociedade. A licitação do Tecon Santos 10 deve ser, acima de tudo, uma oportunidade para fortalecer esses princípios. A lógica por trás de um leilão público é clara: permitir que todos os interessados, que preencham os requisitos técnicos e legais, possam concorrer em igualdade de condições, assegurando que o resultado final reflita o melhor para o País. Isso significa priorizar a eficiência operacional, a capacidade de investimento, a ampliação de serviços e a melhoria da logística nacional. A isonomia é um dos pilares de qualquer certame público. Garante que todos os participantes sejam tratados com equidade, independentemente de sua atuação prévia no setor ou da estrutura que já possuam em outros terminais. Já a concorrência saudável promove inovação, melhores tarifas e mais qualidade nos serviços prestados, beneficiando diretamente exportadores, importadores e, por consequência, o consumidor final. Outro ponto essencial é o interesse público. O Porto de Santos, embora conte com operadores privados, é uma infraestrutura estratégica sob responsabilidade do Estado brasileiro. Seu desenvolvimento deve seguir uma lógica nacional, e não corporativa. O Tecon Santos 10 não pode ser visto como um território a ser defendido ou disputado por grupos específicos, mas como uma alavanca para a modernização da logística do País. A transparência no processo e a legalidade nas decisões também são princípios indispensáveis. Toda discussão técnica, jurídica ou operacional é legítima — e inclusive desejável —, desde que orientada pelo compromisso com o bem coletivo. O que não se pode perder de vista é que, ao fim, o objetivo de um leilão como este não é atender interesses individuais, e sim garantir o uso mais eficiente de um ativo público para benefício de toda a sociedade brasileira. O Brasil precisa de mais investimentos em infraestrutura, especialmente no setor portuário. Ampliar a oferta de terminais, atrair novos operadores e diversificar os serviços são caminhos naturais para se reduzir o chamado “custo Brasil” e ganhar competitividade internacional. O Tecon Santos 10 se insere nesse contexto como peça-chave, e sua licitação deve refletir uma visão de futuro. É legítimo que grupos interessados busquem espaço no mercado. Isso faz parte do jogo democrático e econômico. Mas, ao final, a decisão deve ser tomada com base no que for mais vantajoso para o país, e não para este ou aquele grupo. A escolha precisa ser estratégica, técnica e justa. O País está diante de uma chance rara de avançar. Isso exige coragem para pensar grande, generosidade para abrir caminhos e responsabilidade para colocar o bem coletivo acima dos interesses pontuais. Que o Tecon Santos 10 seja um marco, não apenas na expansão portuária, mas na reafirmação dos valores que devem guiar as decisões públicas: transparência, concorrência, isonomia e, acima de tudo, compromisso com o Brasil.