(Divulgação/Portos RS) O Rio Grande do Sul lançou recentemente o programa “Minha cidade tem um porto”, uma iniciativa que busca aproximar a população das atividades portuárias e da relevância estratégica dos terminais na economia. A proposta é simples e poderosa: mostrar que o porto não é apenas um espaço fechado por grades e guindastes, mas sim uma porta de entrada e saída de riquezas que movimentam empregos, cadeias produtivas e oportunidades. No entanto, a falta de conhecimento da sociedade sobre o setor portuário ainda é um desafio enorme. Em Porto Alegre, Rio Grande, Pelotas ou Estrela, muitos moradores sequer sabem que vivem em cidades com portos ativos. Em Santos, dono do maior porto da América Latina, uma parte da população desconhece a dimensão do que está diante dos seus olhos, apesar dos gigantes navios entrando e saindo do canal portuário diariamente. Para a maioria das pessoas, o porto continua sendo um lugar inacessível, quase misterioso. A visão romântica de navios ainda predomina, enquanto pouco se fala da logística complexa, da tecnologia aplicada e das operações que sustentam o comércio internacional. Essa falta de conhecimento gera um vazio perigoso: uma sociedade que não reconhece a relevância de seus portos tende a não participar das discussões sobre seu futuro. Esse distanciamento atinge em cheio a juventude. Muitos jovens que ingressam no mercado de trabalho sequer cogitam o setor portuário como possibilidade de carreira. No entanto, ali existe um campo vasto: gestão portuária, comércio exterior, logística, tecnologia da informação, sustentabilidade, segurança, operações, inovação em transporte marítimo, entre tantas outras frentes. Os portos estão em plena transformação digital, com sistemas automatizados, inteligência artificial e processos sustentáveis cada vez mais presentes. Ou seja, há espaço para engenheiros, técnicos, administradores, advogados, programadores, economistas, jornalistas, psicólogos etc. São profissões do presente e do futuro, mas que ainda permanecem invisíveis para grande parte da juventude dentro da área portuária. Aproximar a juventude da atividade portuária significa não apenas revelar carreiras promissoras, mas também formar cidadãos mais conscientes sobre o papel estratégico dos portos no desenvolvimento do Brasil. Se queremos um país competitivo e integrado ao comércio internacional, precisamos que as novas gerações olhem para os portos não como paisagens distantes, mas como portas abertas para o futuro. Com uma iniciativa importantíssima promovida pelo Porto de Santos e a Fundação Cenep, nos dias 8, 9 e 10 de outubro, sob o tema “Educação para Empregabilidade”, Santos receberá o 3º Congresso Nacional Integra Portos (CNIT-2025). O evento reunirá comunidade acadêmica e portuária para discutir como formar profissionais que atendam às demandas atuais e futuras do setor. A programação inclui palestras, painéis, minicursos, visitas técnicas, submissão de trabalhos acadêmicos e premiações, oferecendo aos jovens uma oportunidade concreta de conhecer o mercado, ampliar redes de contato e vislumbrar carreiras dentro da logística, da inovação e da operação portuária. Programas como o “Minha cidade tem um porto” e o 3º Congresso Nacional Integra Portos são fundamentais, mas precisam ganhar escala nacional, com parcerias entre governos, escolas, universidades e o setor privado. É preciso mostrar aos jovens que o porto não é apenas um ponto no mapa, mas sim um espaço vivo de oportunidades, inovação e conexão global. Despertar essa consciência é também uma forma de abrir caminhos. Afinal, só se pode sonhar com aquilo que se conhece.