Alvo de polêmicas, Tecon Santos 10, o maior do Brasil, tem investimento previsto de R\$ 6,45 bilhões (Alexsander Ferraz/AT) A licitação do Tecon Santos 10, no Porto de Santos, é iminente para alguns, mas improvável para outros. O Tribunal de Contas da União (TCU) deve analisar a proposta de edital até o fim desta semana ou em setembro, devendo o leilão ocorrer no final de novembro ou em dezembro. Contudo, muitos já apostam em um rito judicial, impedindo o avanço do processo. A licitação visa aumentar a capacidade de contêineres no Porto e já foi palco de inúmeros debates e narrativas: verticalização, aumento de capacidade, investimentos no Brasil, concentração de mercado, restrição de participação e outras. O Porto de Santos está saturado, com a demanda por movimentação de contêineres exigindo solução urgente. O megaterminal é visto como a solução para evitar o colapso. Diante disso e do histórico, é sábio dizer que o Porto de Santos jamais deixará de crescer e aumentar sua movimentação. Isso ocorreu com a movimentação de commodities e não deixará de acontecer com contêineres. Percebemos que, diante das narrativas existentes até hoje, pouco se falou das possibilidades de desenvolvimento da indústria nacional. A movimentação das commodities ainda sofre com o frete de retorno e ramais para melhor fluxo de movimentação dos vagões. Aparentemente, o modal ferroviário está sendo endereçado com a implantação da Ferrovia Interna do Porto de Santos (Fips). Por outro lado, ainda não conseguimos avançar na expansão para o armazenamento e movimentação dos fertilizantes. Incrível convivermos com projetos que demandam muito tempo para avançar. Ao longo dessa rota, existem muitas ‘falácias’ para planejar os portos com ao menos algumas décadas para frente. Ficamos orbitando dentro do mesmo problema por anos. Por exemplo, o Tecon Santos 10 já beira uma década desde sua concepção. Inúmeros projetos estruturantes passam por governos e já afetam o maior Porto do Hemisfério Sul. Talvez tudo isso não tenha relevância para quem faz política, ou os desgastes sejam mais lucrativos do que os resultados operacionais. O investimento estimado no Tecon Santos 10 é de R\$ 6,45 bilhões, tornando-se um dos maiores arrendamentos portuários da história do Brasil. O que ainda não ficou claro aos leigos é o que será feito com esse dinheiro. Serão investimentos na área e na construção do terminal ou será feito na Cidade e no País? Essa pode ser mais uma narrativa criada ao longo dos últimos anos onde as concessões geram investimentos bilionários e servem de promoção para partidos e políticos. A moda do momento é anunciar investimentos e bater martelo na B3. No caso do Tecon Santos 10, para onde irá todo o investimento anunciado aos quatro cantos do Brasil e do mundo? Afinal são mais de R\$ 6 bilhões. Relembrando a aclamada relação do Porto com a Cidade e o colapso que existe hoje nos acessos ao Porto de Santos e na Cidade, podemos sonhar que esse volume de dinheiro possa ajudar nesses pontos. Será? Existem tantos aspectos que podemos e devemos gerenciar com responsabilidade para que não interfira no desenvolvimento. Um bom começo é deixarmos de comemorar o possível “investimento” e passarmos a celebrar as realizações. Seria muito sábio se todos olhassem o Porto de Santos para daqui a 20 anos e que houvesse um pacto onde tudo aquilo que foi planejado fosse executado, independente de governos e interesses pontuais. Em Isaías 55:10-11, descreve-se a eficácia da Palavra de Deus, comparando-a à chuva e à neve que descem do céu para regar a terra e produzir fruto, garantindo sustento e semente para o agricultor. Da mesma forma, a palavra que sai da boca de Deus não volta vazia, mas cumpra o seu propósito e realize o que Ele deseja, atingindo o objetivo para o qual foi enviada. A palavra de Deus, ao ser falada, não retorna sem que tenha produzido o efeito desejado. Ela tem a capacidade de mudar, transformar e trazer vida, assim como as águas fertilizam a terra e fazem as sementes brotar. Deus promete e declara que se cumprirá e alcançará o objetivo para o qual foi enviado, demonstrando a fidelidade e o poder da sua Palavra. A palavra tem muita força no âmbito espiritual e religioso para os que possuem fé, contudo não podemos ter a mesma percepção no campo dos projetos e política, onde as promessas vazias e projetos centenários não avançam ou tornam-se vitrine de campanha política. O ano de 2026 já bate em nossa porta e podemos abrir a aposta de quantos candidatos irão se utilizar das narrativas de “solução”. O túnel já passou por quantas campanhas políticas? Talvez tudo isso ocorra pois todos que possuem a “caneta” para resolver queiram conviver com um sistema que não prospera no âmbito social e econômico. Estamos diante de pessoas que se imaginam professores de Deus, mudando as regras, sem palavra e com promessas de um desenvolvimento que nunca chegam. Nossa geração vive um momento muito delicado. Os bons estão na lona ou nas cordas, atordoados com tantos desmandos. Deixaram que um sistema seja punitivo e impeditivo ao investimento, um mecanismo que escraviza a retórica em um loop infindável de promessas. Ficou normal prometer e não cumprir. Estamos definitivamente vivendo o novo normal pós-pandemia e nos tornamos vítimas do sistema que deixamos existir. Para os meros mortais, nos cabe rezar!