(Divulgação/AAPA Latam) Tive a oportunidade de estar no AAPA Latam 2025, em Lima, no Peru. Inicialmente, algo que me impactou foi a maneira como o Peru, assim como outros países da América Latina, explora o turismo de negócios. A alta gastronomia é algo surpreendente naquele país. Executivos e autoridades ficam encantados com tamanha qualidade na oferta. Isso demonstra a preocupação na relação do porto com a cidade e na exploração comercial do porto por meio do turismo de negócios. Falando em turismo de negócios, pode-se ver em toda a área destinada ao turismo, em Lima, muita segurança e tranquilidade para transitar pelas ruas. É claro que o Peru, assim como outros países da América Latina, sofre com as mazelas da desigualdade social. Contudo, como no Panamá, o país achou uma maneira de se adaptar e impulsionar o turismo local. Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! O evento foi repleto de painéis técnicos e com muito conteúdo. Por sinal, os eventos do nosso setor portuário devem se concentrar nesses pilares para que possamos dar celeridade ao desenvolvimento dos portos e não ao desenvolvimento político. Um painel que chamou bastante a minha atenção foi a respeito das concessões portuárias na America Latina. Vale destacar que o modelo de concessão da iniciativa pública para a privada não é muito diferente do que temos no Brasil. Aquela na qual o governo permite ao ente privado a exploração de uma determinada área por um período de tempo. Por se falar em tempo, foi apresentado que mais de 40% das concessões existentes na América Latina devem ter o seu prazo encerrado até 2027 e isso irá provocar uma segunda onda de concessões ou renovações. Ficou claro para todos os participantes que a primeira onda de concessões esteve baseada na transferência das operações do público para o privado e investimentos na estrutura dos terminais (da porteira para dentro), na compra de equipamentos e sistemas e outras pequenas demandas pontuais. Já a segunda onda de investimentos, pela renovação contratual ou novas concessões, estará baseada em infraestrutura de acessos, eficiência, volume de movimentação de cargas, tecnologia, inovação e integração logística. Os portos em evidência na América Latina se tornarão grandes concentradores de cargas e irão distribuir para portos menores. Porém, os portos em destaque que não entenderem esse movimento irão correr o sério risco de perder seu berço esplêndido. A grande questão é se os governos da América Latina estão preparados para essa demanda que surgirá. Sabemos do tamanho atraso nas legislações e processos de contratação. Devemos estar alinhados para um novo modelo, onde estes novos pilares possam estar aderentes aos contratos que serão celebrados. Sejam de renovação ou de novas concessões. Ainda assim, precisamos entender como regular esse novo universo dos negócios. Certamente será uma grande oportunidade para o desenvolvimento do Brasil e da América Latina. Os portos dessa região possuem uma alta dependência das commodities (aproximadamente 65% das movimentações portuárias), mas vivemos em um momento em que o jogo está mudando a cada segundo. O mundo está inflacionado e esse cenário irá gerar frutos para o crescimento da indústria na América Latina. Não é necessário ser nenhum especialista para entender que os mercados emergentes estão superando as expectativas do mundo e que o momento é uma janela de oportunidade única para os portos do Brasil. Temos de estar preparados para sermos portos flexíveis e eficientes. Podemos chamar de “portos da nova geração”, com alianças sólidas entre a iniciativa pública e privada. Esses portos terão de repensar seus acessos e as cidades precisarão repensar a urbanização. Não é possível um andar de costas ou de lado para o outro. Os portos da nova geração devem ser focados no intercâmbio entre países e estar sempre a serviço da sociedade. O porto deve agregar valor para o seu país, sendo competitivo, eficiente e com custos atrativos. Os portos do lado do Pacífico já entenderam essa missão. E nós, do lado do Atlântico?