(FreePik) Um faroleiro é responsável por assegurar que o farol esteja funcionando corretamente, emitindo sinais luminosos que orientem as embarcações e evitem acidentes em áreas costeiras, recifes, bancos de areia e rochas. A Ilha da Moela é um território insular costeiro situado em Guarujá. Atualmente, está sob a administração da Marinha, que obteve concessão para operar o local, bem como o Farol da Moela, por meio da Capitania dos Portos de São Paulo. A ilha está localizada a cerca de 2,5 km da costa e tem servido como ponto de orientação de navegação para as embarcações que adentram ao Porto de Santos. A Moela abriga o mais antigo farol do Litoral paulista, inaugurado em 1830 e que conta com uma torre de dez metros de altura. Desde 1953, ele é alimentado por energia de um gerador a diesel, que é fornecido de forma hidráulica. O farol tem uma visibilidade de até 50 km, foi um dos primeiros construídos no Litoral paulista e atualmente faz parte de uma lista de 206 faróis. A ilha também serve de local de pesquisa para o Centro de Hidrografia da Marinha no Rio de Janeiro, que lá mantém uma estação de meteorologia. Na última semana, eu tive o privilégio de visitar e pernoitar no local, conheci militares que trabalham e chegam a ficar 80 dias isolados para cuidar desse tão importante equipamento. Jean, Rocha, Castelo Branco, Emiliano e Santana são militares que possuem resiliência e atuam com muita responsabilidade para contribuir com a navegabilidade do nosso porto. Jean e Castelo, os mais comedidos, dão o suporte sempre que necessário a qualquer demanda que surja. Estão sempre dispostos a auxiliar na rotina e na boa conservação do local. Santana é aquele amigo de toda hora e que possui a “arte” de receber bem. De bom papo, consegui aprender muito com o militar que milita por décadas na Marinha. Um ser humano diferenciado e que preza por boa companhia e troca de experiências. Rocha é o nosso contador de histórias, e a pessoa que mais conhece do Farol da Moela. Além de fantasmas e mitos do local, sabe como poucos o funcionamento do farol. Posso afirmar que conhece cada detalhe e etapa do processo. Emiliano é aquela pessoa que diverte e que deixa o ambiente leve para todos, apesar das responsabilidades do dia a dia, sabe transformar o cenário para que, apesar da saudade e solidão, todos possam conviver em um ambiente calmo, tranquilo e cercado de muita amizade. E assim foi a minha estadia na Ilha da Moela. Seu nome deriva de seu aspecto geográfico, similar a uma moela de frango. Por sinal, frangos e galinhas não faltam por lá. A ilha é um local cheio de vida e com uma biodiversidade incrível. Para nos proteger das aranhas marrom e caranguejeira, além de cobras, os militares criam galinhas e galos para que eles possam estar sempre por perto afastando os animais peçonhentos. Milionário é o nome do maior galo que existe por lá. Ele parece mais um lutador de luta livre, musculoso e cheio de vitalidade. Jamais irei esquecer do seu canto às 3 horas. Incansável e que não me deixou dormir, mas garantiu a nossa segurança na ilha. Por volta de 17h40 o sol começou a se pôr e eu tive a oportunidade em ser o primeiro civil a entrar no Farol da Moela. Estava acompanhado pelo militar Rocha, que teve todo o cuidado em explicar cada etapa do processo. Naquele dia, eu fui responsável em acender o Farol da Moela. O farol é alimentado por um gerador que deve funcionar 24 horas por dia. Por volta de 0h45, o gerador deixou de funcionar e toda a equipe estava a postos para, em menos de 3 minutos, resolver a questão. Uma equipe dedicada e com profundo conhecimento das necessidades do local. Acordei e também tive a honra de desligar o farol e estar certo de que naquela madrugada desempenhei um papel que contribuiu para a segurança da navegação em nosso porto. Uma experiência única e que levarei para a vida. Entender e conhecer as pessoas que moram em uma ilha, subir mais de uma hora por uma trilha com comida e mantimentos nas costas, pernoitar em uma ilha no meio do oceano, ser faroleiro e, acima de tudo, aprender algo novo e desafiador. Quero agradecer à Marinha e a todos que proporcionaram essa experiência incrível para mim e toda a equipe. Nos próximos dois sábados, irá ao ar no programa Porto 360° toda a nossa experiência. Em dois episódios, mostraremos todo que acontece naquele local. Obrigado, Jean, Castelo, Rocha, Emiliano e Santana! Ficam aqui a minha admiração e o meu respeito por todos vocês. Até a próxima!