(Alexsander Ferraz) Os portos são fundamentais para a economia de qualquer país, representando um elo vital entre o mercado interno e o comércio internacional. No entanto, nos últimos anos, os portos brasileiros vêm enfrentando uma série de desafios. A falta de investimentos é uma das questões mais críticas. A frase “cadê o dinheiro que estava aqui?” resume bem a frustração de quem acompanha o setor portuário. Rotineiramente, os anúncios por parte de governos e de políticos deixam as pessoas paralisadas com o encantamento de tanto dinheiro. Mas, depois de feita a concessão e concluídas as obras, o cidadão não sabe para onde foi o dinheiro anunciado. Cadê o dinheiro que estava aqui? O destino, muitas vezes, atende a interesses específicos e beneficia alguns. Os portos não podem ser apenas pontos de passagem de mercadorias. Devem funcionar como centros logísticos que agregam valor ao processo produtivo. São eles que garantem a exportação de commodities e o abastecimento do mercado interno com produtos importados. Continuamos aprisionados na comemoração de recordes, mas onde está a geração de empregos por meio do benefício do impulsionamento da indústria e de centros logísticos? Onde está o emprego que estava aqui? Enquanto comemoramos diariamente os investimentos por parte da iniciativa privada, os acessos aos portos do Brasil são caóticos e colapsados. O governo sai na foto com o investidor, que, por sua vez, constrói seu terminal, e ainda não sabemos quem cuidará da infraestrutura necessária para tantas concessões. Cadê o interesse público que estava aqui? Nos últimos anos, a pergunta “cadê o dinheiro que estava aqui?” tem sido recorrente em discussões sobre os portos no Brasil. O País enfrenta uma grande crise de investimentos na infraestrutura portuária, o que afeta a competitividade dos seus portos e limita o potencial de crescimento de setores econômicos. A infraestrutura dos portos brasileiros ainda é, em muitos casos, defasada. Isso se traduz em longos períodos de espera para atracação de navios, falta de equipamentos modernos para a carga e descarga e processo logístico ineficiente que, no final, aumenta os custos de transporte e torna os produtos brasileiros menos competitivos no mercado global. O quadro de ineficiência é ampliado pela falta de gestão eficaz nos portos e pela dificuldade de implementação de projetos de modernização que tragam resultados reais. Um exemplo disso são os constantes entraves relacionados à burocracia, o que impede que muitos portos consigam avançar em seus planos de expansão e melhoria. Outro exemplo é o “medo” de qualquer administrador público colocar seu CPF em projetos de grande porte, pois sabem que, consequentemente, “todos” serão investigados e questionados. O sistema foi criado para controlar tudo, de uma maneira que torna impossível fazer algo. Mesmo assim, convivemos com problemas de gestão do dinheiro público. Devemos dar liberdade para a realização do que deve ser feito e punir os que não respeitam o rito do dinheiro público. Cadê os políticos que estavam aqui prometendo mudanças? Nos últimos anos, o governo brasileiro tem buscado alternativas para aumentar os investimentos nos portos, como a concessão de terminais portuários. A ideia é que a participação de empresas privadas, por meio de concessões de longo prazo, possa ajudar a modernizar a infraestrutura. Essa fórmula de sucesso já é bem conhecida, mas qual será a nova fórmula para resolver os demais desafios? A concentração do mercado portuário nas mãos de um número restrito de empresas tem gerado críticas, pois isso pode resultar em tarifas mais altas e menor concorrência, o que impacta negativamente os preços para os consumidores. Outro problema é a questão da transparência e da fiscalização, já que há projetos de infraestrutura que, apesar de terem sido assinados, não são totalmente executados ou não atingem os resultados esperados. Ao perguntar “cadê o dinheiro que estava aqui?”, muitos se referem justamente à sensação de que, apesar dos investimentos públicos e das concessões, os resultados não têm sido à altura das expectativas. Apesar dos desafios, existem motivos para otimismo. Nos últimos anos, alguns portos começaram a dar sinais de recuperação e melhorias em sua infraestrutura. O Porto de Santos, por exemplo, se destaca pela modernização. Além disso, iniciativas de integração entre portos e ferrovias, como o projeto da Ferrovia Norte-Sul, podem ajudar a diminuir o custo logístico. Mas a frase “cadê o dinheiro que estava aqui?” ainda ecoa como um lembrete da necessidade urgente de uma gestão mais eficiente, de investimentos constantes e de um planejamento estratégico de longo prazo. Para que os portos brasileiros cumpram sua função de impulsionar a economia do País, é preciso garantir que os recursos necessários cheguem. A frase “cadê o dinheiro que estava aqui?” sintetiza a frustração dos especialistas e dos trabalhadores portuários, que esperam respostas para as promessas de melhorias que ainda não se concretizaram. O futuro dos portos brasileiros depende, portanto, da realização de investimentos concretos, da modernização da infraestrutura e de uma gestão mais transparente e eficiente, que permita ao Brasil recuperar seu potencial e tornar-se mais competitivo no comércio global.