(Vanessa Rodrigues/AT) A regulamentação busca a modernização e o aumento da competitividade do setor, o que inclui a atuação na infraestrutura e no desenvolvimento sustentável dos portos. Já debatemos por décadas a falta de infraestrutura, principalmente para passageiros. A cada ano, percebemos que o Brasil perde “share” e, com isso, menos navios atracam em nossos portos. Por que não somos atrativos e competitivos no mercado global de cruzeiros? Por que existem navios com qualidade muito superior aos que são enviados para o nosso país em outras localidades? As tarifas de atracação e praticagem são um problema? Clique aqui para seguir agora o canal Porto Tribuna no WhatsApp! Não temos uma temporada anual com cruzeiros. Os custos são divididos somente pelos meses que possuímos operação e isso nos impede de sermos mais competitivos. A liberação de um píer demanda uma década, em média, para operar. Assim, fica cada vez mais difícil conquistarmos novos destinos e atrair o público consumidor. Nos acostumamos com somente duas empresas no setor de cruzeiros no Brasil. Tanto a MSC quanto a Costa Cruzeiros conseguiram adaptar suas operações para que tenhamos essa atividade em nossos portos. Ocorre que, de outro lado, grandes empresas como a Norwegian e a Royal Caribbean não fazem cabotagem no Brasil. Seja pelas leis trabalhistas, que são insanas e não possuem aderência para esse mercado, seja pelos altos custos e os riscos da operação. O Brasil, com quase 8 mil quilômetros de costa, poderia e deveria atrair mais empresas e contribuir para a prosperidade desse negócio, aquecendo a economia e gerando empregos. Andamos na contramão disso e ainda ouvimos pelos quatro cantos que estamos melhorando a relação do porto com a cidade. Já mencionei em outros artigos que essa relação está divorciada e sem nenhum alinhamento. Acabamos de construir o Parque Valongo e sonhamos com um novo terminal naquela localidade, mas, nesta temporada, estamos diminuindo o número de navios por aqui. Isso mesmo, diminuindo o volume de leitos ofertados e os navios. Estamos navegando de popa! Os cruzeiros estão aumentando de tamanho e demandam maior infraestrutura. Combustíveis renováveis fazem parte do escopo desse processo e, sem subsídio por parte do governo, dificilmente conseguiremos atender esses novos gigantes. Precisamos de energia elétrica em todos os berços por onde os cruzeiros irão passar. Não existe transição energética por filantropia. As narrativas são inúmeras e o modismo está deixando as ações cegas e sem sentido. O ponto positivo é que a imigração da tripulação e passageiros para os cruzeiros internacionais tem contribuído na agilidade das operações. Tenho a oportunidade de viajar pelo mundo e conhecer diversos portos. Percebo o quanto aquelas localidades se esforçam na promoção de seus destinos quando tratamos dos cruzeiros. No Brasil, isso ainda é muito tímido, para não se dizer nulo, quando pensamos em promover o setor de cruzeiros para o mundo e nossos locais turísticos. Não participamos de feiras e eventos internacionais promovendo as nossas cidades. Em qualquer país do mundo que se preocupe com o turismo, percebemos a dedicação e investimentos com a mobilidade, gastronomia e atratividade. Uma pesquisa com os cruzeiristas, nesta temporada, seria muito bem-vinda para entendermos como estamos nesses três pilares. Inclua nessa pesquisa que Santos é o maior porto do Hemisfério Sul e não consegue reter cruzeiristas para o turismo. Qual o papel do estado de São Paulo para impulsionar esse tema e como deixaremos de ser somente um hub? Não podemos transformar o receptivo e ser exemplo aos demais portos do Brasil? Precisamos entender como a indústria de cruzeiros pode vender mais e ter melhores destinos com tantos desafios. Ter estratégia de governo para fazer com que essa indústria continue a crescer. Segundo dados da Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos (Clia Brasil), temos um impacto de R\$ 6 bilhões em nossa economia. Por fim, sabemos que a temporada de 2025/2026 será menor do que a do ano passado e o retrato para 2026/2027 não é bom. Ainda temos tempo para reverter, basta saber se temos vontade, capacidade e coragem.