( Pixabay ) Há muitos anos, as atividades humanas exploram os oceanos e seus recursos para sobreviver e gerar ganhos: a navegação e a pesca são exemplos primitivos dessa relação. Hoje, o mundo inteiro sofre as consequências do uso irracional dos recursos naturais dos oceanos, pela poluição que gerou, pela perda da biodiversidade e por fenômenos causados pelas emergências climáticas. No entanto, há a oportunidade de inovar as formas de trabalhar com o mar, e adotá-la já não é mais uma escolha, e sim, uma necessidade. Dela vai depender a nossa sobrevivência em todos os sentidos. É a Economia Azul, também chamada de Nova Economia Azul e de Economia Azul Sustentável. Na semana passada, Santos teve o privilégio de receber o criador do conceito, apresentado pela primeira vez no livro A Economia Azul, de 1994: o economista belga Gunter Pauli, que fez palestra na Associação dos Engenheiros e Arquitetos. Ele defende o uso responsável dos recursos oceânicos no transporte marítimo, em turismo costeiro, pesca, aquicultura, energias renováveis e biotecnologia marinha, entre outros, alicerçados nos pilares da sustentabilidade, da inovação e da inclusão. É uma abordagem completamente diferente da que rege as relações comerciais. A Economia Azul baseia-se num princípio bastante simples: em vez de usar e jogar fora os recursos naturais, o homem reconverte os resíduos em materiais eficientes. São exemplos a pesca sustentável, a produção de energia renovável ou o ecoturismo. Neste novo modelo, a natureza e o progresso caminham juntos no mesmo passo. O foco é o respeito ao meio ambiente, até para manter a roda da economia girando. Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) apontam que a economia oceânica movimenta, no mundo, entre US\$ 3 trilhões e US\$ 6 trilhões. Somos completamente dependentes deste ecossistema e não nos damos conta disso. Os oceanos cobrem 70% da superfície terrestre, fornecem 50% do oxigênio que respiramos e são o maior depósito natural de carbono. Mais de 40% da população no mundo vive a menos de 100 quilômetros do oceano ou do mar e limita seu uso à pesca, à mineração em alto-mar e, infelizmente, a sua poluição e sua destruição. O Brasil possui uma costa marinha de 3,5 milhões de km², e Santos se localiza numa ilha, ou seja, somos privilegiados e estamos literalmente cercados de oportunidades de geração de emprego, renda e sustentabilidade. Segundo o criador da Economia Azul, para avançar mais é fundamental a união entre governos, empresas, comunidades e organizações internacionais. A Associação Comercial de Santos (ACS) está envolvida em ações de preservação dos oceanos. Entre elas, a Blue Santos, que trabalha na comunicação com partes interessadas, governança e estruturação do programa, como o inventário da situação atual do oceano. Entendendo que a nossa ‘Floresta Azul’ é a grande riqueza a ser desbravada de forma responsável, a ACS atua junto a suas associadas fomentando a sustentabilidade, apoiando o projeto Corredor Azul, do Sebrae-SP, que visa a cuidar do mar, desenvolver atividades econômicas da região, proteção do meio ambiente e reconhecimento da cultura e das comunidades costeiras. Buscar o equilíbrio ecológico nas ações de desenvolvimento econômico e social não é mais uma pauta para discussão. Essa meta precisa estar na vida prática dos cidadãos e das empresas. Por esse motivo, o tema oceano é, para nós, prioridade e está sempre presente nas escolhas das parcerias e dos eventos dentro da ACS.