(Reprodução) A história do Porto de Santos, que nesta segunda-feira completa 134 anos como porto organizado, é, sem dúvida, de muito sucesso e importância para o desenvolvimento econômico da região e do País, e vem sendo construída a muitas mãos, entre elas, as da própria Associação Comercial de Santos (ACS). Antes do cais santista ser um “porto organizado”, era a ACS que fazia a coordenação das chegadas e do carregamento das cargas, particularmente o café, nos veleiros e navios a vapor que escalavam o nosso Porto. O terceiro presidente da ACS, Francisco de Paula Ribeiro, o Chico de Paula, foi essencial para que o Porto de Santos deixasse de ser um atracadouro informal, de estrutura rudimentar e trapiches, para se tornar porto organizado com a construção do primeiro trecho, inaugurado em 2 de fevereiro de 1892. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Conforme o pesquisador Sergio Willians, Francisco de Paula foi o principal defensor da ideia de que Santos precisava de um porto organizado e aparelhado para atender às necessidades do nosso crescente comércio exterior. Ele fez as gestões necessárias junto ao Governo Provincial e convenceu o cunhado Eduardo Guinle a investir na construção do Porto, o que se concretizou com a sociedade de Guinle com Cândido Gaffrée. Chico foi também o primeiro superintendente do Porto de Santos, tendo iniciado nas atividades portuárias como varredor de armazéns. Tornou-se comerciante de café e, em 1885, chegou à diretoria da Associação Comercial de Santos, tornando-se, posteriormente, o terceiro presidente da entidade. Essencialmente voltado para atividades retroportuárias, o bairro da Zona Noroeste denominado Chico de Paula é uma homenagem ao empreendedor Francisco de Paula Ribeiro e ao legado que deixou para a Cidade e o Porto. O desenvolvimento inicial do Porto de Santos foi crucial para o impulsionamento da economia cafeeira e para transformar Santos em um ponto vital do comércio brasileiro. Desde então, o complexo cresceu e, junto, cresceram as cidades do seu entorno. Ano a ano, o Porto de Santos continua a bater recordes e projeta um crescimento contínuo de cargas até 2035, impulsionado por recordes de movimentação e planos de expansão. A expectativa é que o volume supere a marca de 240 milhões de toneladas, com foco no aumento de capacidade para todos os tipos de carga. O Porto fechou 2025 com 186,4 milhões de toneladas, mantendo uma tendência de alta acumulada nos últimos anos. O que se vislumbra e o que se precisa para os próximos anos é escrever um capítulo ainda mais vigoroso nesta história. Os projetos de expansão focam em aumentar a capacidade para contêineres, passageiros e demais tipos de carga e aumentar a eficiência operacional. O planejamento inclui a licitação de terminais, como o Tecon Santos 10, e melhorias da infraestrutura e investimentos em logística, com a terceira pista da Rodovia dos Imigrantes, novos acessos terrestres, nova entrada, construção de viadutos, aprofundamento do canal, conclusão de perimetrais, o túnel Santos-Guarujá e a implantação do Terminal de Passageiros no Valongo, entre outros, para suportar o fluxo de cargas e aumentar a eficiência operacional nos próximos anos. A movimentação de carga conteinerizada (superior a 5,9 milhões de TEU) em 2025 e o escoamento das commodities agrícolas são os principais motores para as projeções futuras, sem ignorar a importância da movimentação de passageiros nos cruzeiros que cada vez mais incrementam a economia da região. O horizonte para o Porto de Santos nos próximos anos é promissor, com diversos projetos e iniciativas em curso e uma oportunidade ímpar de seguir escrevendo uma história de muitas conquistas para as cidades da região e seus moradores e para o próprio País.