(Sílvio Luiz/ A Tribuna) A temporada de cruzeiros 2025/2026 começa amanhã trazendo muito mais que navios de passageiros entrando e partindo no horizonte. Enquanto ela acontece até abril de 2026, movimenta a região, impulsiona a economia local e gera empregos e renda. Por tudo isso, é um setor que merece um olhar e cuidado ainda maiores tanto do Poder Público quanto da iniciativa privada e da população, uma vez que vem registrando crescimento e ainda possui literalmente um mar de possibilidades. Isso foi constatado por um rico e detalhado estudo realizado pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico de Santos (Condesan), ligado à Associação Comercial de Santos (ACS). De acordo com a análise, Santos possui uma vantagem competitiva significativa com seu terminal de passageiros, especialmente considerando que a demanda por cruzeiros cresceu 13% em 2024, com a Geração Z (nascida entre 1990 e 2010), cujo interesse por viagens de navio aumentou em 64% ao registrado antes da pandemia. Na temporada 2023/2024, mais de 1 milhão de passageiros passaram por Santos, gerando impacto estimado de R\$ 1 bilhão na economia regional. Cada cruzeirista chega a gastar em média R\$ 813,56 na Cidade, segundo estudo da Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos (Clia Brasil) e da Fundação Getúlio Vargas. A previsão para 2025 é ainda mais otimista, com expectativa de R\$ 1,5 bilhão de impacto. As projeções da pesquisa do Condesan nos mostram que podemos avançar. A modernização do terminal de cruzeiros e a ampliação das conexões aéreas regionais podem transformar Santos em um hub de turismo marítimo para a América do Sul. Para que isso se torne realidade, é preciso apostar e desenvolver o potencial local. O rico patrimônio histórico, a gastronomia e outros atrativos da região oferecem oportunidades excepcionais para o desenvolvimento de experiências autênticas. O Museu do Café, o Centro Histórico e o complexo portuário podem ser transformados em vivências imersivas que atendem à demanda crescente por turismo cultural. Uma das propostas apresentadas pela pesquisa do Condesan é a criação de voos regionais conectando o Guarujá, onde está sendo construído o Aeroporto Civil Metropolitano, ao terminal marítimo de Santos, facilitando o acesso de turistas e aproveitando a infraestrutura aeroportuária existente na região metropolitana. O futuro terminal de cruzeiros no Valongo é visto com otimismo e deverá promover ainda maior integração entre o porto e a Cidade, facilitando o acesso dos turistas ao Centro Histórico e a outros atrativos da região. Sabe-se que os turistas de cruzeiro frequentemente estendem sua estadia em Santos por um ou dois dias antes ou depois do embarque/desembarque e que no Brasil 92% deste público retornaria a fazer essa viagem, evidenciando o enorme potencial de crescimento e a importância de investimentos e estratégias para capitalizar essa demanda. Já há sugestões de expansão do calendário de operações, propondo que os embarques ocorram durante todo o ano, da possibilidade de negociação com companhias de cruzeiro para incluir a cidade em roteiros fora da alta temporada, com opções temáticas (gastronômicos e musicais) e integrar o desembarque dos cruzeiros a roteiros terrestres. Como vemos, são muitas as possibilidades e oportunidades a serem conquistadas.