( ATribuna.com.br ) No final do ano passado, tive a honra de receber o convite para ser paraninfo da segunda turma de 2025 do Projeto Avançar e da 8ª turma do CapacitaCE, do Centro de Aprendizagem e Mobilização Profissional e Social (Camps). Na ocasião, também fui agraciado com uma homenagem que guardo com muito carinho. O Camps, que reflete de forma muito clara a liderança e os valores de seu presidente, Elber Justo, realiza um trabalho fundamental para a nossa região, ao capacitar e abrir portas para jovens em situação de vulnerabilidade, oferecendo oportunidades reais de ingresso no mercado de trabalho. Com uma estrutura impecável e um corpo de colaboradores extremamente dedicado, a instituição consegue, em um curto, mas vigoroso, período de formação, proporcionar a base necessária para que a juventude inicie sua trajetória profissional com mais segurança e preparo. Fundado em 1967, o Camps se consolidou ao longo de quase seis décadas como uma das mais relevantes instituições de formação profissional e inclusão social da Baixada Santista. Sua trajetória é marcada pelo compromisso com a cidadania e o desenvolvimento humano, tendo impactado positivamente mais de 120 mil jovens. Atualmente, atende cerca de mil garotos e garotas por ano, contando com o apoio de mais de 200 empresas parceiras, que absorvem aprendizes e estagiários formados pela entidade. O trabalho do Camps vai muito além da qualificação técnica. Seus programas integram formação profissional, educação cidadã e desenvolvimento socioemocional, preparando adolescentes e jovens para os desafios do mundo do trabalho com ética, disciplina e responsabilidade. Entre suas principais iniciativas, estão o Programa de Aprendizagem, projetos de estágio estruturado e ações complementares nas áreas de tecnologia, idiomas, cultura e artes. Em meu discurso aos formandos, destaquei especialmente a importância das chamadas soft skills, habilidades comportamentais e socioemocionais que influenciam diretamente a forma como uma pessoa se comunica, trabalha em equipe, enfrenta desafios e constrói relações profissionais saudáveis. Nos últimos anos, empresas de diversos setores têm relatado dificuldade em encontrar profissionais que, além da qualificação técnica, demonstrem comprometimento, maturidade emocional e responsabilidade. A pandemia da covid-19 foi um divisor de águas nesse processo. O período de isolamento levou muitos a reavaliar prioridades, valorizando mais o bem-estar pessoal e a saúde mental. Movimento legítimo e necessário, mas que também trouxe impactos ao mundo do trabalho. Hoje, muitas organizações enfrentam dificuldades para formar equipes com disciplina, resiliência, senso de responsabilidade e foco em resultados. Nesse contexto, instituições como o Camps tornam-se ainda mais relevantes, ao construir pontes entre o jovem e o mercado de trabalho, reforçando valores essenciais para a sustentabilidade das carreiras e das empresas. Nos anos 60, ao aconselhar um jovem estudante de Direito preocupado com a saturação do mercado, o saudoso jurista santista Ariosto Guimarães disse: “Para os bons, sempre existe lugar”. Que bom que o jovem — Osvaldo — não desistiu. Que assim seja também com os nossos jovens de hoje.