(Pixabay) Qualquer pessoa que já fez uma reforma ou obra em casa sabe dos impactos que a intervenção gera na vida dos moradores e até na vizinhança no decorrer dos serviços. Guardadas as devidas proporções, vamos imaginar como será o andamento da construção do túnel imerso Santos-Guarujá, que envolve uma tecnologia inédita no Brasil, as populações de duas cidades e o tráfego no maior porto da América Latina. É um desafio e tanto que pode ser superado com planejamento, coordenação e união entre as cidades, os governos, a Autoridade Portuária, a empresa responsável pela obra e a população. Segundo notícia publicada durante a semana, aqui mesmo em A Tribuna, uma reunião marcada para o início de outubro vai bater o martelo sobre a área em que será instalado o canteiro de obras. O terreno seria uma área da União localizado em Vicente de Carvalho, próximo à saída prevista para o túnel, no trecho entre a Prainha e a Praça 14 Bis. O que se sabe pelo cronograma divulgado é que a empresa portuguesa vencedora do leilão do último dia 5, a Mota-Engil, deve formalizar o contrato em novembro e, após a assinatura, Estado e União têm 60 dias para depositar os valores que lhes cabem dos investimentos públicos totalizando R\$ 5,14 bilhões. O restante, R\$ 1,78 bilhões, será de responsabilidade da empresa vencedora. A vencedora do leilão é parceira da estatal e multinacional China Communications Construction Company, Ltd (CCCC), considerada uma das maiores construtoras do mundo. Ambas possuem expertise em projetos e construção de infraestrutura, incluindo rodovias, aeroportos, ferrovias, portos, barragens e pontes. Todas as partes envolvidas nesta construção precisam trabalhar de forma conjunta, uniforme e transparente em todas as etapas do processo que será desafiador, mas que traz consigo uma finalidade nobre e repleta de benefícios para a nossa região, as suas populações e a logística nacional. O edital prevê a contratação de mão de obra local na obra que, no auge da construção, deve absorver 5 mil pessoas. Para garantir essa oportunidade aos moradores de Santos e Guarujá e até de outras cidades da Baixada Santista, os postos de atendimento ao trabalhador e outros órgãos afins devem ser envolvidos neste recrutamento, bem como em possíveis capacitações de moradores da área para trabalhar nessa obra gigantesca e sem precedentes no País. É mais do que justo que a região que viverá os impactos inerentes a qualquer obra de construção, seja ela pública ou particular, também ganhe com ela, do início à conclusão do projeto. Lembrando que se trata da mais importante obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e reúne todas as condições para ser um case nacional de infraestrutura. O modelo do túnel Santos-Guarujá seguirá o de Fehmarnbelt, projeto europeu que liga Alemanha e Dinamarca. Consiste em montar grandes módulos de concreto em terra firme, flutuá-los até o canal, afundá-los e encaixá-los no leito marítimo. O início das obras está previsto para o começo de 2026 e o término em 2031. Esperamos de verdade que tudo corra dentro do prazo porque esse projeto vive entre nós há décadas. O tempo nos dirá.