(Elza Fiuza/ABr) O açúcar é uma das principais cargas do Porto de Santos, representando cerca de 15% do movimento do complexo santista. Sabendo disso, pode-se ter uma ideia do impacto econômico e da relevância da cadeia sucroalcooleira aos municípios da região onde essa carga é movimentada. A importância deste produto histórico na economia nacional também é impressionante. Pelo Porto de Santos foram exportados no ano passado 27 milhões de toneladas de açúcar, majoritariamente a granel. Mas cerca de 2,5 a 3 milhões de toneladas desse volume são embarcados ensacados (em contêineres) ou como carga breakbulk (diretamente nos porões dos navios). Todas essas modalidades sofrem com questões de acesso ao porto, roubo e contaminação de carga, complexidade e instabilidade da legislação. Para as cargas embarcadas em contêineres, existe ainda a limitação da oferta do transporte marítimo aliada aos entraves de manuseio da carga nas retroáreas. No geral, o Brasil colheu 713,2 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na safra 2023/2024, um crescimento de 16,8% em relação ao ciclo anterior. Esse resultado reflete não apenas o aumento da área plantada em algumas regiões, mas também o impacto positivo de investimentos em tecnologia e condições climáticas favoráveis em momentos críticos. Em 2024, nosso país alcançou um marco inédito na exportação de açúcar, consolidando sua posição de liderança global. No ano passado, as sucroenergéticas enviaram 38,24 milhões de toneladas do produto, alta de 22,2% em relação às 31,28 milhões de toneladas exportadas em 2023. O crescimento expressivo nas exportações foi impulsionado por problemas climáticos na Índia, tradicionalmente uma das maiores produtoras e exportadoras de açúcar do mundo. Isso fez com que a Tailândia viesse a ocupar o segundo lugar na exportação global do açúcar. Os ganhos com a exportação de açúcar por esses três países em 2024 foram de US\$ 18,84 bilhões no Brasil, US\$ 4,5 bilhões na Tailândia e US\$ 4,27 bilhões na Índia. A questão é que não podemos contar com a sorte ou com a crise de nossos concorrentes para seguir crescendo. É preciso olhar para as nossas dores e pontos fracos, resolver os gargalos conhecidos de longa data e avançar para enfrentá-los com a união de todos, já que o segmento é essencial na economia brasileira. Nesta semana, a Associação Comercial de Santos (ACS), em parceria com a Associação de Exportadores de Açúcar e Álcool (AEXA), deu um passo importante com a realização do 1o Sugar Day (Dia do Açúcar), que reuniu o setor sucroenergético, em debates estratégicos sobre infraestrutura, tributação, qualidade, inovação tecnológica e os desafios na exportação de açúcar. Muitas questões foram colocadas: de investimentos em infraestrutura rodoviária, ferroviária e marítima, criação da pauta logística e a união do setor, gestões junto aos poderes executivo, legislativo e judiciário à redução de custos e aumento da competitividade nas operações de embarque. Agora nos resta avançar e construir juntos o futuro, garantindo que o agro brasileiro siga despontando todo o seu potencial no mundo.