A COP30, que acontece em Belém (PA), traz novamente ao centro do debate global a necessidade de avançarmos em ações concretas para garantir a sustentabilidade do planeta para esta e as próximas gerações. Enquanto aguardamos o resultado desse encontro histórico na Amazônia, convivemos com eventos climáticos cada vez mais intensos, como os tornados que atingiram Paraná e Santa Catarina recentemente, deixando vítimas, centenas de feridos e destruição em dezenas de municípios. Esses episódios são o novo retrato da crise climática brasileira. Dados apresentados pelo professor Ronaldo Christofoletti na COP30 reforçam essa realidade. Segundo estudo conduzido pela Aliança Brasileira pela Cultura Oceânica, Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e Fundação Grupo Boticário, o Brasil registrou 407 desastres ligados a ciclones, frentes frias e ondas de frio entre 1991 e 2024, um número 19 vezes maior do que o observado na década de 1990. A média anual saltou de 2,3 para 44 eventos por ano, um aumento de 1.813%. Mais de 1,2 milhão de pessoas foram afetadas, e os prejuízos já ultrapassam R\$ 2,74 bilhões, atingindo tanto o setor público quanto o privado. Como alerta Christofoletti, o aquecimento dos oceanos, hoje em estado de “oceano febril”, alimenta sistemas meteorológicos mais fortes, ampliando a intensidade de ventos, chuvas e ressacas. Os municípios do Sul e do Centro-Oeste concentram 74% dos eventos, e o impacto humano é profundo: 97% dos afetados sofrem consequências emocionais, culturais e socioeconômicas. Diante desse cenário, não há mais espaço para alternativas que não envolvam redução de emissões, adaptação e financiamento climático. Migrar rapidamente de combustíveis fósseis para fontes renováveis, como solar e eólica, deixou de ser estratégia e passou a ser obrigação civilizatória. Ao mesmo tempo, precisamos de políticas públicas que priorizem proteção às populações mais vulneráveis, urbanas e rurais. Todos nós podemos fazer algo, ainda que, no fundo, achemos que isso não vai fazer a diferença. Imagine cada um dos 8 bilhões de habitantes da Terra economizando e cuidando dos recursos naturais, consumindo menos e fazendo escolhas sustentáveis no dia a dia. Na Associação Comercial de Santos (ACS), mergulhamos de cabeça, desde 2021, com a criação do Comitê de Sustentabilidade, que foi disruptivo no sentido de incorporar uma cultura que vem influenciando de forma positiva os colaboradores e a comunidade. Entre as ações, a digitalização das atividades e a eliminação de impressões equivalente a quase 150 mil folhas/ano, a separação e a destinação correta de resíduos para reciclagem, o corte do consumo de plástico e promoção da coleta de tampinhas, lacres e embalagens para destinação nobre desses resíduos, o uso de copos e demais utensílios de papel ou retornáveis no ambiente corporativo, assim como a sua utilização nos eventos realizados por terceiros em seus espaços. A ACS instalou um sistema de captação de energia solar em seu prédio, com ganhos em economia e em benefícios ambientais. Essa cultura tem engajado mais empresas, criando conexões que geram resultados e compartilham experiências numa rede virtuosa de iniciativas ambientais de curto, médio e longo prazos. Mudamos o planeta, agora nos cabe tentar recuperá-lo.