(Banco de imagens) O período de escoamento de grãos já começou no Porto de Santos. Quem passa pela Avenida Perimetral percebe isso com a movimentação de caminhões que entram e saem da Cidade e do Porto. Alguém pode dizer que isso atrapalha. Mas e se eu disser que o Porto de Santos lidera a movimentação de diversas cadeias de produtos, entre elas, a de grãos? Que pelo complexo portuário santista foi embarcado, no ano passado, um total de 53,536 milhões de toneladas de soja e milho, o que significa que respondemos atualmente por cerca de um terço dos embarques dessas commodities agrícolas? Tamanhas grandezas e riquezas trazem responsabilidades, preocupações e desafios, particularmente, quanto à capacidade do nosso Porto em atender aos volumes crescentes das exportações destas cargas, devido às limitações de sua infraestrutura, principalmente os acessos rodoviários, aquaviários e ferroviários. A Associação Comercial de Santos (ACS) acompanha esse cenário e constantemente tem procurado fazer a sua parte, promovendo interlocução entre todos os envolvidos nesta cadeia de negócios: produtores, exportadores, terminais portuários e retroportuários, prestadores de serviços, autoridades, entre outros atores, na busca das soluções necessárias para que o nosso Porto não só se mantenha como o grande protagonista de sempre, mas que siga se expandindo. Quem acompanha as notícias sobre as questões acima sempre esbarra no mesmo ponto: a falta de investimento em infraestrutura no passado gerou gargalos logísticos com os quais temos que lidar no presente da melhor forma possível, enquanto as soluções para um futuro ainda não saem do papel. O cerne do problema e da solução tem um nome em inglês: last mile — traduzindo, a última milha. Os nossos maiores desafios estão no meio do caminho percorrido pelos grãos até os terminais que irão embarcá-los do Porto de Santos para o mundo. (Reprodução) Recorrendo a Carlos Drummond de Andrade nos versos de No Meio do Caminho — “no meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho...” —, temos na nossa frente um atraso de pelo menos uma década em acessos e infraestruturas rodoviária, ferroviária e aquaviária. Temos uma equação que precisa de respostas para hoje e para o amanhã. Agora, temos a nosso favor o uso de tecnologia com ferramentas de apoio ao Porto, na Baixada Santista e no Estado, além de possibilidades de melhorar a eficiência nos terminais e otimizar as operações. Em longo prazo, precisamos, como já escrevi aqui, de novas ligações com São Paulo que deem conta do movimento atual e futuro do Porto, da ampliação do modal ferroviário e de mais profundidade no canal do Porto para garantir o recebimento de navios com mais capacidade de carregamento. Sabemos que a união faz a força, e é isso que a ACS propõe com o 1º Grain Day (Dia do Grão), que acontecerá em sua sede, na próxima quinta-feira, com todos os envolvidos, para criar conexões e melhorar a integração no setor, evidenciar a importância do Porto de Santos para as exportações de commodities e vice-versa, apresentar pontos fortes e de atenção, gerar inovações, antecipar tendências e soluções e definir pautas de interesse. Quem sabe sairá do encontro a alavanca para retirar a pedra do nosso caminho. *Presidente da Associação Comercial de Santos