( Pixabay ) Como diz a música, vivemos num país “abençoado por Deus e bonito por natureza”, com essência naturalmente agrícola e com um agronegócio superlativo e vibrante, que impressiona e orgulha. Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), nos últimos 50 anos, a produção agropecuária brasileira se desenvolveu de tal forma que nosso País se transformou em um dos principais produtores e fornecedores de alimentos, fibras e energia do mundo. Isso é fruto de investimentos em ciência e tecnologia, políticas públicas setoriais e de muita dedicação dos produtores rurais. Essa revolução agrícola das últimas décadas é certamente o fato mais importante da história econômica recente do Brasil e continua abrindo perspectivas para o futuro. Produzindo excedentes cada vez maiores, o agro expandiu suas vendas para o mundo, conquistou novos mercados, gerando superávits cambiais que fortalecem a economia brasileira. Ele é responsável por praticamente 1/4 do Produto Interno Bruto (PIB) do País. No ano passado, a soma de bens e serviços gerados chegou a R\$ 2,72 trilhões. Dentre os segmentos, a maior parcela é do ramo agrícola, que corresponde a 70%, e a pecuária a 30%. A soja em grão é o carro-chefe da produção brasileira. O segundo lugar é da pecuária de corte. O terceiro é o do milho, seguido da cana-de-açúcar e da pecuária de leite. A carne de frango aparece em sexto lugar, seguida da carne suína. O setor absorve praticamente um de cada três trabalhadores brasileiros. Até o quarto trimestre de 2024, 26% (28,2 milhões) do total de 108,4 milhões de trabalhadores brasileiros eram do agronegócio. Quanto ao comércio internacional, 49% das exportações brasileiras, em 2024, foram de produtos do agronegócio. O porém – infelizmente ele sempre aparece – é que a estrutura logística atual do Brasil não tem acompanhado esse crescimento do agro. Nas reuniões e eventos que a Associação Comercial de Santos (ACS) promove regularmente com vários setores dessa cadeia, essa questão sempre vem à tona, como aquela figurinha repetida dos álbuns da infância. Nesta semana, em A Tribuna, os exportadores de café relataram prejuízos de R\$ 5,9 milhões devido ao não embarque do produto em agosto. Dos 1.893 contêineres não embarcados, 1.490 correspondem ao Porto de Santos, ou seja, 78,7%. Nas palavras do diretor técnico do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Eduardo Heron, “é um cenário que se repete e, infelizmente, tende a piorar nos próximos meses e anos se não houver investimentos rápidos nos portos brasileiros, para aumentar a oferta da capacidade de pátio e de berço. A estrutura atual está esgotada. Precisamos de celeridade na oferta da capacidade dos portos”, defendendo ainda agilidade no leilão do Tecon Santos 10, entre a Alemoa e o Saboó. Idênticas reivindicações e posicionamentos são feitos de forma contundente também por outras entidades que representam os produtores e exportadores das demais commodities agrícolas com as quais temos grande interação e desenvolvimento de agendas comuns. Precisamos avançar rapidamente no aumento da capacidade das estruturas portuárias nacionais e na ampliação e diversificação dos modais de transporte para garantir o escoamento de toda essa potência do agro, além de reduzir custos logísticos, equilibrar a matriz de transporte de cargas, promover a multimodalidade, aumentar a capacidade de armazenamento, promover a cabotagem, garantir recursos em infraestrutura rodoviária, ferroviária, hidroviária e portuária e reduzir os entraves burocráticos que oneram o setor produtivo. O agronegócio e o Brasil podem muito mais.