( Divulgação/Caio Coronel ) O papa Francisco nos inspira com uma filosofia poderosa sobre a importância do diálogo e da escuta: estabelecer aproximações — ou seja, criar conexões que unam pessoas, cidades e ideias. É nesse espírito que o Brasil e a Baixada Santista se preparam para um marco inédito em infraestrutura: a construção do túnel imerso Santos-Guarujá. A obra, desafiadora e emblemática, está próxima de se tornar realidade, com o leilão previsto para agosto. Esse projeto exigirá alto grau de conhecimento técnico e planejamento. Temos um histórico de grandes realizações, como a Usina de Itaipu e a Ponte Rio-Niterói, e somos capazes de produzir muitos dos insumos necessários para a construção. Ainda assim, aprender com parceiros internacionais e importar conhecimento especializado será essencial. A complexidade de intervir no canal de navegação do maior porto do Hemisfério Sul e de impactar a rotina de milhares de cidadãos de pelo menos duas cidades exige uma ampla articulação. Precisaremos de uma conexão sólida entre os governos Federal, Estadual e Municipal, a Autoridade Portuária e a sociedade local para garantir que o planejamento seja eficaz e transparente. Começamos bem. Uma comitiva brasileira visitou recentemente o projeto do túnel Fehmarnbelt, entre Alemanha e Dinamarca — que será o maior do mundo em 2029. A missão, liderada pelo deputado Paulo Alexandre Barbosa, que preside as frentes parlamentares de Portos e Aeroportos e da Ligação Seca Santos-Guarujá da Câmara dos Deputados, reuniu representantes do Legislativo, do Judiciário, da autoridade portuária e do setor empresarial. O grupo pôde conhecer de perto o canteiro de obras e compreender o detalhado planejamento necessário para um túnel imerso de 18 quilômetros sob o Mar Báltico. O túnel Santos-Guarujá terá cerca de 1,5 quilômetro de extensão, dos quais 870 metros submersos, e utilizará a mesma tecnologia empregada na Europa: montagem de docas e módulos, sistemas de vedação, embarcações de transporte, posicionamento via GPS e dragagem, entre outras etapas. Essa iniciativa das frentes parlamentares, com apoio do Instituto Brasileiro de Infraestrutura (IBI), foi fundamental para trazer ao Brasil um conhecimento prático e atualizado sobre a engenharia envolvida. A comitiva teve a dimensão da responsabilidade do Governo na elaboração do edital e na condução da obra, que deve ser executada com eficiência e sem atrasos, diante de sua relevância para a logística nacional e a mobilidade regional. Mais do que nunca, Cidade e Porto precisarão caminhar lado a lado. A obra impactará diretamente o funcionamento de ambos, já que estará localizada na principal ligação entre Santos e Guarujá, em pleno canal de navegação. Estamos falando da vida de milhares de pessoas, da circulação de toneladas de cargas e da passagem de centenas de navios. Durante a missão, também visitamos a Prefeitura de Hamburgo, onde a gestão do porto está sob responsabilidade municipal. Lá, cidade e porto estão plenamente integrados. A população reconhece o porto como seu principal ativo econômico e tem orgulho disso. As decisões portuárias são estrategicamente alinhadas com o desenvolvimento urbano, pois partem de uma única gestão. No Brasil, o modelo é diferente. O Porto de Santos é administrado pelo Governo Federal e pela Autoridade Portuária, em parceria com as prefeituras de Santos e Guarujá — municípios diretamente afetados pela obra e que compartilham o território portuário. A construção do túnel Santos-Guarujá pode representar mais do que uma obra de infraestrutura: pode ser o elo que aproxime ainda mais as cidades do seu porto e da região. Uma conexão que fortalece o presente e projeta o futuro. E é por isso que seguimos firmes nessa missão.