(Vanessa Rodrigues/ AT) Uma notícia publicada nesta semana chamou a atenção: as obras de revitalização do antigo prédio do Ambesp, localizado na esquina das ruas Gonçalves Dias e do Comércio, já alcançaram 70% de execução. Trata-se do primeiro retrofit público da Baixada Santista, um marco importante para a Administração Municipal e um passo decisivo rumo à revitalização da região central. O projeto transforma um antigo edifício comercial em um imóvel residencial, com grande potencial de uso por estudantes, o que poderá atrair serviços de conveniência ao entorno, como padarias, mercados e outros comércios. A revitalização do Centro Histórico de Santos é um tema recorrente, fruto de um processo de desgaste que levou décadas e que, da mesma forma, exige esforço contínuo e visão de longo prazo para sua recuperação. Para que isso aconteça, é necessário que as leis de proteção ao patrimônio histórico e cultural, que preservam o nosso valioso passado, encontrem um equilíbrio maior, para atrair novos investidores. Um exemplo disso é a própria Associação Comercial de Santos (ACS), que está na etapa final da restauração da fachada de sua sede centenária. Pela experiência, sabemos que restaurar um prédio tombado é um grande desafio, repleto de surpresas, como a necessidade de reproduzir janelas de madeira artesanalmente fabricadas no Sul do País. Por outro lado, é profundamente gratificante ver um edifício histórico restaurado, em pleno uso por centenas de pessoas todos os dias, sendo admirado por moradores e turistas. Para incentivar quem cogita investir ou se mudar para o Centro, vale destacar que houve recentes atualizações na Lei de Uso e Ocupação do Solo e maior flexibilidade na legislação do Programa de Revitalização e Desenvolvimento Urbano da Macrozona Centro, o conhecido Alegra Centro. As mudanças oferecem incentivos fiscais, acesso a financiamentos e critérios mais flexíveis quanto à proteção dos imóveis. O Parque Valongo já é realidade e, em breve, teremos o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) em operação, facilitando o acesso ao Centro. Também está em planejamento o Terminal de Passageiros no Valongo, que trará novo dinamismo à região nos próximos anos. Neste contexto, é essencial que os próprios santistas percebam as oportunidades de negócios que se desenham e apostem no potencial da área central. Grandes transformações precisam dos visionários — dos pioneiros que puxam a fila. O passado exerce um fascínio inegável sobre nós. Gostamos de ouvir e contar histórias. Enfrentamos longas filas para visitar museus e exposições com obras de séculos passados. O nosso Centro Histórico é repleto dessa riqueza e está ao nosso alcance. Há menos de 50 anos, era comum irmos “à Cidade” para fazer compras, resolver pendências e, até, aproveitar momentos de lazer. A infraestrutura dos bairros cresceu tanto desde então que muitos deixaram de frequentar o primeiro bairro santista. Mas esse movimento começa a se inverter. Eventos públicos e privados voltam a acontecer por lá, novos empreendimentos são lançados, e prédios históricos ganham vida novamente. Essa reocupação dos centros urbanos é uma tendência global, motivada pela busca por mais espaço, mobilidade e infraestrutura. Fica aqui a reflexão: o que ainda falta para que essa volta à Cidade aconteça com passos mais largos?