(Sílvio Luiz/AT) Qualquer mãe ou pai de primeira viagem sabe que a febre do filho ou da filha é sinal de alarme, que ele não está bem, uma virose ou uma infecção está instalada e que precisa de atenção, cuidado e remédio. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Nosso oceano está exatamente assim: com febre. Essa analogia é do professor Ronaldo Christofoletti, pesquisador em Ciências do Mar, Comunicação Pública da Ciência e Cultura Oceânica. Ele explica que nos últimos dois anos, de uma só vez, a temperatura do oceano subiu 0,4 grau. Para entender o tamanho do problema, ela havia subido 0,6 grau em 40 anos. Desta forma, está falhando em sua função de regular a temperatura do planeta e, assim, causando um grande desequilíbrio. Essa “febre oceânica” faz de todos nós igualmente doentes. Sofremos com as ondas de calor e de frio, as ressacas, as enchentes, a seca e os deslizamentos de terra decorrentes dos eventos climáticos extremos. Os produtos agrícolas ficam mais caros porque muitas plantações não suportam o calor, entre elas, os cafezais. Com produção menor, ficam mais raros e apresentam alta nos preços, impactando nosso bolso. Na saúde pública, temos problemas com os mais frágeis. As crianças, os idosos e as gestantes apresentam doenças e crises respiratórias desencadeadas pela mudança brusca de temperatura. E, até nesta questão, a população em vulnerabilidade social acaba sofrendo mais, ou seja, também precisamos lidar com a desigualdade climática. Na vertente financeira, é preciso lembrar que tiramos o nosso sustento do oceano. Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) apontam que a economia oceânica movimenta, no mundo, entre US\$ 3 trilhões e US\$ 6 trilhões. E não me refiro somente às comunidades de pescadores. As principais atividades econômicas da região estão relacionadas diretamente com o mar, o Porto e o turismo. O que todos nós, habitantes deste planeta, estamos fazendo para tratar deste que garante e equilibra nossa vida em todos os sentidos? Santos e a região estiveram esta semana com foco nesta temática durante o Festival da Cultura Oceânica 2025, discutindo o quanto estamos nos mobilizando nessa questão. A cura do oceano febril é uma tarefa que cabe aos cidadãos com a consciência do consumo e das escolhas no dia a dia; aos poderes públicos, com o desenvolvimento de políticas de sustentabilidade e de enfrentamento às mudanças climáticas, e às instituições privadas, no financiamento das iniciativas. A Associação Comercial de Santos (ACS), entidade estreitamente ligada ao Porto de Santos, desde a sua fundação, há 154 anos, tem compromisso com o oceano. Uma das ações será em 20 de setembro, com o Dia Internacional da Limpeza, em parceria com a Autoridade Portuária de Santos (APS), prefeituras da região, Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Santos e Marinha do Brasil, promovendo juntos a limpeza do canal de acesso ao Porto, das praias, manguezais e inúmeras outras áreas. Os especialistas em clima apontam que, nos próximos 15 a 20 anos, viveremos um cenário ainda mais crítico. Portanto, agora é nossa hora de cuidar do oceano e, com isso, de nós mesmos. Agenda ACS 2/9, às 9h30 Palestra: Efeitos da Reforma Tributária sobre as Atividades dos Terminais Portuários e Retroportuários Inscrições no site. 4/9 ACS DAY - Happy Hour exclusivo para associados De 2ª a 6ª, das 8h às 18h Exposição Estilos Arquitetônicos de Santos – Um Museu a Céu Aberto Na sede da ACS (Rua XV de Novembro, 137, Centro)