Véspera de Ano-Novo. Pela cidade, nas ruas, nas praias, no comércio, nos mercados e nas lotéricas; milhares de pessoas se amontoavam, trombando umas nas outras. Parecem confundir fim do ano com fim do mundo. É como se precisassem comprar tudo de uma única vez, como se não houvesse amanhã. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! No mercado do peixe, não é diferente: centenas de pessoas disputavam os pescados para o jantar de Réveillon. Uma senhora discutia com um vendedor o preço do camarão. Um rapaz comprava postas de meca e pedia sugestões de como assar na churrasqueira. Um grupo de turistas tirava fotos das crianças ao lado de um enorme polvo no isopor de gelo. Uma senhora com um menino comprava camarões e salmão. Voluntariosa - talvez até um pouco intrometida - explicava para os outros clientes os tipos de peixes adequados para dar sorte no Ano-Novo. Ela falava sobre robalo, linguado, corvina, pescada, salmão e sardinha. Eram algumas alternativas para o preço do bacalhau. Havia um pouco de superstição também. Enquanto explicava sobre a relação entre os peixes e formas de prosperidade, aproveitava para sugerir também cores para as roupas a serem usadas na noite da virada. A mulher saiu com uma sacola de pescados em uma mão e levava o menino na outra. Do lado externo, as garças davam um show. Eram dezenas de aves enormes que caminhavam pela calçada, por entre o público que jogava pedaços de peixes no chão. Uma turma de turistas conversava e fotografava tudo. A mulher resolveu se intrometer e começou a dar dicas sobre os peixes, as roupas e rituais pessoais para atrair sorte e fartura. Ela pediu que o menino segurasse a sacola um instante. Ele parecia entretido com as aves. Enquanto ela estava distraída falando com os turistas, ele procurava algo para utilizar como isca. Ele abriu um embrulho de camarões e arremessou um punhado em direção às garças. As aves enlouqueceram e ficaram disputando os crustáceos. Animado com a reação, ele resolveu jogar mais. O garotinho se divertia com o alvoroço das aves e continuou arremessando mais três ou quatro vezes, até que os camarões acabaram. Ele limpou a mão molhada na roupa da mulher, que não parava de falar sobre as dicas para a virada. O menino abriu, então, outra embalagem que estava na sacola. Havia algumas postas de salmão. Ele jogou um pedaço e as aves passaram a chegar ainda mais perto. Eram enormes e insaciáveis. O garoto foi jogando mais até acabar com o peixe. Em sua inocência, estava contente, pois fizera algo bom ao alimentar as aves famintas. A mulher terminou de falar e chamou o menino para ir embora. Nem reparou na sacola vazia na mão do garoto. O lado bom é que, pela conversa, criatividade não deve ter faltado para improvisar a ceia. Boa semana e ótimo 2026!