(Imagem gerada por IA) Em meio à chuva torrencial, uma calota de veículo descia boiando pela margem da rua inundada, empurrada pela forte correnteza que fazia o asfalto cinzento parecer um córrego. Em um cruzamento adiante, a profundidade da água parecia maior, e a visibilidade piorava. Motoristas se orientavam acompanhando as lanternas traseiras dos veículos à frente, aproveitando o vácuo do movimento em sequência para tentar fazer a curva. O risco seria levar uma pancada lateral de água e perder a direção. Alguns desistiam de encarar a turbulenta tempestade, e optavam por subir nas calçadas, parando os carros em vagas de estacionamentos de lojas e comércios. Outros paravam no centro da via, pois era o ponto mais alto para evitar a força da água. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! A situação era péssima. Algumas pessoas se protegiam embaixo de um abrigo de ponto de ônibus, outras se colocavam sob as marquises. O guarda-chuva, naquele momento, era um objeto inútil, pois seria facilmente obliterado pela potência da ventania e o peso da chuva insólita. É impressionante como este tipo de problemática natural começou a se tornar rotina. Um reflexo da crise climática. Enquanto o mundo parecia acabar e a chuva agredia ferozmente a vidraça de uma agência bancária, lá dentro, um senhor encarava uma tormenta burocrática. Ele reclamava que estava pagando um valor alto por um seguro de vida que não contratou e queria cancelar. O atendente tentava contornar a situação. Então, colocou o homem em uma outra mesa e lhe deu o telefone. “O senhor pode resolver isso com o gerente nesta linha”, explicou o funcionário. O homem estava furioso pelo fato de ter ido até o banco para ser atendido pelo telefone. Depois de alguns minutos, ele havia confirmado os dados, telefone, endereço, número da conta e agência cerca de cinco vezes. Ao que parece, o gerente na linha tentava ganhar pelo cansaço, para que o homem desistisse de cancelar o seguro. Ele batia os pés impaciente, enquanto permanecia na linha, repetindo os dados incessantemente. O homem estava muito irritado, e disse que não queria desconto nem promoção nenhuma, apenas o cancelamento. O gerente tentou oferecer um valor reduzido para manter o seguro. Parecia piada. Depois de recusar a proposta indecente, o homem ficou cerca de quinze minutos esperando na linha. Então, chegou ao limite: “Meu amigo, cancela esta porcaria, eu não pretendo morrer tão cedo. Esse seguro não serve para nada. Nem sei como isso apareceu na minha conta. Chega!”, gritou. Depois de algum tempo, ele finalmente conseguiu o cancelamento. Então, bateu o telefone, e se levantou satisfeito. Ao sair da agência, a violenta tempestade havia passado, no entanto, um pesado galho de árvore havia caído sobre o seu carro, arrancando completamente o retrovisor direito. Apesar do incidente, ele sorriu confiante, afinal, era seu dia de sorte. “Que bom que não cancelei o seguro do carro”. Boa semana!