Na última semana, vivemos um dia importante em Brasília. Autoridades, executivos e especialistas se reuniram no 7º Fórum Clia Brasil para debater o presente e o futuro da indústria de cruzeiros. O evento evidenciou a relevância do setor e trouxe, entre muitos temas, o lançamento do Estudo de Perfil e Impactos Econômicos da Temporada 2024/2025, realizado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) em parceria com a Clia Brasil. Os resultados da temporada reforçam a importância dos cruzeiros na economia brasileira. Mesmo com uma ligeira queda de 0,8% no número de passageiros em relação ao período anterior, foram mais de 838 mil cruzeiristas embarcando pelos mares do Brasil e da América do Sul — o segundo melhor resultado da série histórica. Essa movimentação se traduziu em R\$ 5,43 bilhões injetados na economia nacional, prova de como a atividade reverbera para muito além dos portos. O dinheiro investido pelo setor não para no cais: cada R\$ 1 aplicado gerou R\$ 4,05 em impacto econômico direto, indireto e induzido, alimentando uma cadeia que vai do transporte ao comércio e serviços. O efeito também apareceu no mercado de trabalho, com 84,6 mil postos criados — alta de 5,3% — e R\$ 577,4 milhões em tributos recolhidos nas três esferas de governo. Nas cidades de escala, cada cruzeirista gerou um impacto econômico direto, indireto e induzido de R\$ 709,47. Já nas cidades de embarque e desembarque, como Santos, esse valor alcançou R\$ 918,15 por passageiro, já que muitos chegam dias antes da viagem e permanecem após seu roteiro — movimentando hotéis, restaurantes, transporte, comércio e toda uma rede de serviços locais. Não por acaso, Santos, que abriga o maior complexo portuário do Hemisfério Sul e representa aproximadamente 60% dos embarques da temporada, marcou presença no Fórum com Anderson Pomini, presidente da Autoridade Portuária de Santos (APS), Thiago Papa, secretário de Turismo de Santos, e Javier Carnevale, gerente de Operações do Terminal de Passageiros Giusfredo Santini, administrado pelo Concais. São importantes parceiros que falaram sobre os investimentos e o trabalho para atender cada vez melhor os cruzeiristas, além da importância da futura transferência do terminal para a região do Valongo, projeto que dialoga com as necessidades de crescimento e modernização da atividade. Além dos números, o Fórum abriu espaço para discutir os desafios que precisam ser enfrentados em parceria para que a indústria de cruzeiros avance no Brasil. Custos operacionais, infraestrutura, regulação, segurança jurídica, vistos e impostos foram temas centrais. Ficou claro que, para competir de forma sustentável com outros mercados globais, é essencial alinhar esforços entre o setor público e o privado. Olhando para frente, sabemos que os resultados da temporada 2024/2025 não se repetirão na próxima. Em 2025/2026, teremos apenas sete navios de cabotagem em operação, dois a menos que na última temporada, com uma oferta de 674,6 mil leitos — queda de 19,5% em relação ao período anterior. O impacto econômico e a geração de empregos também devem recuar em cerca de 20%. Esse cenário reforça a urgência de trabalharmos juntos para que o Brasil desfrute do melhor que a indústria de cruzeiros pode oferecer. É exatamente para isso que o Fórum existe — um espaço para apresentar dados, ouvir diferentes vozes, debater soluções e fortalecer parcerias. A temporada que passou nos mostrou a força dos cruzeiros para a economia, para o turismo e para as comunidades locais. As próximas nos desafiam a sermos mais competitivos, previsíveis e atraentes no cenário global. E a Clia Brasil, junto de seus associados, parceiros e governo, segue empenhada em construir esse futuro com diálogo e ação. *Presidente da Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos (Clia Brasil)