Realidade mundial

Após mais um ano ruim, já passou da hora de o Santos mudar seu status

Por: Marcio Calves  -  30/10/22  -  06:26
Mas, como dizem os torcedores, será preciso “combinar com os russos” e depender uma incrível combinação de resultados
Mas, como dizem os torcedores, será preciso “combinar com os russos” e depender uma incrível combinação de resultados   Foto: Ivan Storti/Santos FC

A julgar pelo histórico e pela situação atual, o Santos deve mais uma vez concluir sua participação no Campeonato Brasileiro decepcionando o seu torcedor, de forma até melancólica. Com quatro jogos a disputar, dois em casa e dois no campo do adversário, terminará a competição no meio da tabela, talvez garantindo apenas uma vaga na Copa Sul-Americana.


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Esse raciocínio leva em conta a possibilidade de a equipe vencer Avaí e Fortaleza na Vila Belmiro e perder para Atlético-GO e Botafogo, respectivamente, em Goiânia e no Rio de Janeiro. É óbvio, até por se tratar de futebol, que o Santos pode ganhar as quatro partidas e chegar a 55 pontos, o que em tese abriria até uma possibilidade de se classificar para a pré-Libertadores. Mas, como dizem os torcedores, será preciso “combinar com os russos” e depender uma incrível combinação de resultados para assegurar tal vaga.


Vale sonhar, mas o mais provável é que não vá além dos que os números e a campanha indicam até agora. De positivo, apenas o alívio de conseguir, novamente sob ameaça, permanecer na Série A do Campeonato Brasileiro. Dessa forma, a única solução é pensar em 2023, preparando o time para o Paulistão e o Campeonato Brasileiro, além de eventual classificação para um dos torneios continentais e a Copa do Brasil. Em 2022, nas competições paralelas, o Santos foi um fracasso.


A recuperação do time, inegavelmente, passará por uma reestruturação do elenco, com a contratação de reforços. Isso, porém, dificilmente ocorrerá, a julgar pelas recentes entrevistas do presidente Andres Rueda. Em uma delas, sua fala aumentou a preocupação, na medida em que admitiu a necessidade de vender uma de seus principais jogadores para tentar terminar 2022 de forma razoavelmente equilibrada no aspecto financeiro.


Na prática, isso quer dizer que pelo menos um dos poucos bons valores - como por exemplo o goleiro João Paulo, os atacantes Ângelo e Marcos Leonardo ou alguma revelação da base - deverá ser negociado. A rigor, apenas os três têm mercado, pelo que fizeram até agora, pela juventude e o grande potencial técnico. A venda de um deles significará perda de qualidade e rigoroso enfraquecimento do time, colocando em xeque o futuro próximo.


Vários são os jogadores que comprovadamente não têm nível para continuar no Santos. Nessa condição, há equatorianos, um argentino e pelo menos dois laterais que já tiveram várias oportunidades e nada acrescentaram. Que, incialmente, então, se providencie a venda, o empréstimo ou a rescisão unilateral, aliviando a folha de pagamento. E que as aventuras sirvam de lição.


A cada ano, a Série A do Campeonato Brasileiro se torna mais difícil. Em 2023, a competição terá pelo menos mais dois grandes do Brasil, Cruzeiro e Grêmio, que já garantiram retorno à elite do futebol nacional. E ainda podem voltar Bahia e Vasco, outros dois clubes de grande tradição.


Nesse contexto, impõe-se planejar o futuro, sob pena de amargurar outro período de pânico. Em entrevista para A Tribuna, o técnico Orlando Ribeiro disse claramente que não vem participando do projeto para 2023. Destacou que está apenas “colaborando com a diretoria”. Na prática, significa que não continuará no comando técnico do time na próxima temporada. Se internamente a diretoria já tomou tal decisão, que acelere a definição do novo treinador, sem aventuras ou sonhos mirabolantes e inexequíveis, como Marcelo Bielsa.


Se a realidade financeira é que determinará o futuro treinador, que se mantenha Orlando Ribeiro, que conhece o elenco e, principalmente, os valores que podem subir da base para qualificar o time. Ed Carlos é um bom exemplo. A reestruturação do Departamento de Futebol tem que passar também pela contratação de um executivo de futebol, com experiência e credibilidade. Optar por um profissional como os que passaram recentemente é correr o risco de novo fracasso. Não basta ser apenas um ex-jogador, tem que ser alguém que se preocupou em evoluir pessoalmente, com estágios, cursos e experiência.


Paralelamente, será positivo também acelerar o andamento do projeto que prevê transformar a Vila Belmiro numa moderna arena multiuso. Esse upgrade estrutural é uma necessidade inadiável, elevando o patamar do clube em termos de média de público. A parceria do Palmeiras é o melhor exemplo, pois o projeto atraiu investidores e permitiu a montagem de um grande elenco.


O projeto do Santos, com a mesma empresa que viabilizou o Palmeiras, parece que está evoluindo. Contudo, é preciso acelerar o processo. Consta que uma reengenharia financeira já foi feita e a obra é viável. Em síntese, já passou da hora de o Santos mudar seu status, avaliando até a possibilidade de tornar-se uma SAF (Sociedade Financeira do Futebol), como fez o Cruzeiro e, em breve, deverão fazer o Bahia e outros. Não se trata de uma tendência, é a realidade do futebol mundial, basta observar com atenção e isenção os grandes centros da Europa, como a Inglaterra, por exemplo. Futebol não é só paixão.


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