O tempo e a história

Sem nenhuma surpresa, os principais campeonatos do Brasil definiram seus campeões

Por: Marcio Calves  -  06/11/22  -  06:34
  Foto: Cesar Grecco/SEP

Sem nenhuma surpresa, os principais campeonatos do Brasil definiram seus campeões. Mais uma vez, as glórias ficaram restritas a Palmeiras e Flamengo, atualmente os clubes que podem ser indicados como modelos de gestão. Ambos, inegavelmente, evoluíram muito em termos de planejamento e ousadia, se colocando num patamar diferente dos demais.


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O Palmeiras terminou como campeão brasileiro, enquanto o Flamengo encerrou a temporada com os títulos da Copa do Brasil e da Libertadores da América. Ambos, desde já, se apresentam como protagonistas para 2023, cada um ao seu estilo.


O clube carioca já acena com novas contratações de peso, a exemplo do Palmeiras, que, por sua vez, adota uma estratégia de reforço mais pontual. Os ganhos financeiros e esportivos em 2022 comprovam que boa gestão administrativa e investimentos corretos (time forte e competitivo) são hoje sinônimo de sucesso. Vale a pena refletir.


Nenhum dos dois, é importante destacar, sequer pensou em transformar os clubes numa SAF, Sociedade Anônima do Futebol, a exemplo de Cruzeiro, Botafogo e muito provavelmente, em breve, Vasco e Bahia. Esses que já optaram pela “privatização do Departamento de Futebol” estavam em situação crítica, quase irreversível em ternos de sequência de atividade.


O maior exemplo, sem dúvida, é o Cruzeiro. Não fosse a transformação em uma SAF, fatalmente teria literalmente sucumbido. Tal modelo é comum nos grandes centros do futebol mundial, a médio prazo deverá pautar a grande maioria dos clubes.


Tal quadro não significa que a transformação em SAF seja a única saída. Com certeza, cabe ainda o modelo atual, desde que impere o profissionalismo de gestão. Renato Gaúcho, que conseguiu trazer o Grêmio novamente para a Serie A, foi bem objetivo sobre o futuro do clube. Em síntese, disse que em hipótese alguma pode prevalecer o “amadorismo atual”. E até alertou que, se persistir, o time fatalmente correrá novamente o risco de rebaixamento.


No contexto atual, clubes tradicionais como São Paulo, Santos, Náutico e até Atlético-MG, dentre outros do Brasil, têm que evoluir muito internamente, sob pena de continuarem meros coadjuvantes e flertarem com a insolvência.


O Santos, hoje, pode dar um passo importante para o futuro, ao realizar uma assembleia geral para atualização de seu estatututo social. Algumas propostas merecem ser destacadas, como a adaptação à lei federal que dispõe sobre a SAF e a ampliação, de um para três anos, do prazo para voto do novo associado.


Essa última, com certeza, acaba com a manobra de candidatos aventureiros a presidente do clube, que arregimentam sócios no ano eleitoral e acabam ganhando a eleição. A adaptação à lei federal da SAF também é importante, apenas para que o clube esteja em sintonia com o futuro.


Não de deve interpretar que se trata de uma opção imediata, tem que ser encarada como um ponto de modernização. Qualquer decisão nessa linha terá que passar pelo Conselho Deliberativo e, posteriormente, por uma assembleia gedral com maioria de 2/3. Simplesmente “fechar a porta” será um grande atraso.


Nessa linha de modernização do clube está a construção de uma arena multiuso, substituindo a histórica maioria. Felizmente, esse processo está andando com certa celeridade, o projeto já foi ajustado financeiramente e se mostrou viável, sem exigir nenhum investimento por parte do clube. O modelo é o do Palmeiras e com a mesma empresa, a WTorre.


Apesar de sua linda história e tradição, manter hoje a estrutura física da Vila Belmiro é um grande erro, principalmente pela perda de receita de bilheteria. Basta observar os números de Flamengo e Palmeias nesse setor. Ou até o Athletico-PR, com sua moderna arena. O Atlético-MG já percebeu isso, seu novo estádio ficará pronto em 2023.


Em síntese, não dá para brigar com a realidade. A necessidade de evoluir é permanente, quem resistir fatalmente ficará no tempo e na história.


Este artigo é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a linha editorial e ideológica do Grupo Tribuna. As empresas que formam o Grupo Tribuna não se responsabilizam e nem podem ser responsabilizadas pelos artigos publicados neste espaço.
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