(Reprodução/ X) Na bolsa de apostas dos especialistas, sites e blogs, o italiano Carlo Ancelotti voltou a ser o mais cotado para assumir a seleção brasileira, ainda sem comandante desde a saída de Dorival Júnior. Assim, se mantém o grande sonho do presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues. O dirigente nunca escondeu sua vontade de ter um estrangeiro no comando do time nacional e sua preferência pelo atual treinador do Real Madrid. Se no passado isso era quase impossível, pelo grande trabalho que realizava no time espanhol, hoje a possibilidade é concreta, ainda que a cultura europeia, em termos de demissões de treinador, seja completamente diferente de outros grandes centros. Ancelotti, é verdade, não vive um grande momento em termos de resultados, pois o Real foi eliminado de forma incontestável da Champions League pelo Arsenal, da Inglaterra, está a quatro pontos do Barcelona, seu grande rival, na liga espanhola, e perdeu para o time catalão a final da Copa do Rei, ontem, em Sevilha. Contudo, o histórico de Carlo Ancelotti no Real é glorioso, não pode ser descartada a possibilidade de continuar no clube espanhol por mais uma ou duas temporadas. Nas últimas duas semanas, confirmando as chances de vinda de Ancelotti, a cotação do “falastrão” Jorge Jesus caiu bastante na cotação da mídia mundial. Ele continua na Arábia Saudita, no Al-Hilal, e com poucas chances de seu time conquistar o título nacional. Outro indicador de que o italiano é mesmo a bola da vez é o noticiário de que ele já avaliou até sua eventual comissão técnica, que terá dois auxiliares diretos: Davide Ancelotti e Francesco Mauri, ambos de sua total confiança. Em decisão absolutamente certa, Carlo Ancelotti também fará questão de contar um ex-jogador brasileiro na comissão técnica. Sem dúvida, isso será fundamental para o seu sucesso, facilitando o fluxo de informações atuais e do histórico recente. A opção por este ou aquele atleta não será uma missão difícil, pois com certeza não faltarão interlocutores importantes. O técnico italiano convive diretamente há anos com vários jogadores brasileiros no próprio Real Madrid, como Vinicius Júnior, Rodrygo e Éder Militão, que se recupera de grave contusão. Inegavelmente, os três muito poderão contribuir para um rápido diagnóstico do momento negativo da seleção brasileira e indicar sinais importantes para garantir boa convivência com a CBF e a mídia do Brasil. O fato da grande maioria dos principais jogadores brasileiros atuar na Europa é outro ponto relevante para colaborar no início do trabalho. Sem dúvida, Ancelotti acompanha atentamente os grandes campeonatos europeus e sabe quem tem condições de compor o grupo que, em primeiro lugar, precisa garantir uma vaga na próxima Copa do Mundo, em 2026, que será disputada no Canada, México e Estados Unidos. Pelo quadro brasileiro atual, a vinda de um estrangeiro para dirigir a seleção brasileira é uma boa opção. O ideal seria, nesse contexto, dar uma oportunidade a Abel Ferreira, que há anos realiza um grande trabalho no Palmeiras. E mais: tem um perfil ideal, além de autoridade e personalidade para enfrentar as pressões naturais do cargo. Nada garante, porém que o técnico português aceitaria um convite e a presidente palmeirense Leila Pereira o liberaria de pronto. No mais, no cenário nacional, nenhum parece em condições de comandar a seleção brasileira. A CBF, porém, terá que dar apoio e estrutura se realmente Ancelotti deixar o Real Madrid e aceitar o convite. Por coincidência, na última semana o técnico Fernando Diniz concedeu uma entrevista e revelou alguns pontos importantes de sua rápida passagem pela seleção brasileira. Um deles foi justamente a falta de apoio durante seu trabalho, que envolveu até a falta de relacionamento direto com a presidência da CBF. Segundo ele, suas conversas se limitavam a uma funcionária que ocupa o cargo de gerente administrativa e a equipe de análise de performance, na falta de um diretor de seleções. O treinador admitiu que foi um equívoco acumular os cargos de técnico da seleção e do Fluminense, clube que trabalhava na época. Por fim, revelou que o presidente da CBF o demitiu por telefone, num comportamento inadmissível. Assim, para que Ancelotti ou outro estrangeiro tenham sucesso no trabalho, será preciso mudar radicalmente a cultura na CBF. Quase uma revolução de princípios, sob pena de novos fracassos.