(Staff Images/Cruzeiro) De repente, Ronaldo Fenômeno anunciou sua intenção de se candidatar à presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), atualmente sob o domínio de Ednaldo Rodrigues e seu grupo de federações, principalmente do Norte e Nordeste. A eleição está prevista para março de 2026, salvo alteração do Estatuto da entidade, o que sempre ocorre para atender a interesses políticos. A decisão do ex-jogador, de imediato, teve grande repercussão e com certeza só ocorreu por haver apoio de grupos diversos e personalidades importantes do futebol. Não fosse isso verdade, Ronaldo não se meteria num processo tão complexo, que poderia prejudicar sua imagem em caso de derrota. A tarefa, sem dúvida, não será fácil, por tudo que envolve direta e indiretamente a CBF. O poder da instituição é muito grande, há grandes interesses financeiros a políticos e, literalmente, mexe que com uma grande paixão da população. A história da CBF, apesar dos cinco títulos mundiais, é repleta de escândalos e manipulações. Basta lembrar o que aconteceu com vários ex-presidentes, entre eles Ricardo Teixeira, José Maria Marin, Marco Polo Del Nero e até João Havelange. Marin ficou preso durante muito tempo em Nova Iorque e Teixeira e Del Nero não podem sequer sair do Brasil, sob pena de prisão imediata. Ednaldo Rodrigues assumiu após a renúncia de Rogério Caboclo, acusado de assédio moral e sexual. Em razão de recente mudança estatutária, Ednaldo poderá pleitear a reeleição em 2026 e tem tudo para continuar no cargo. O colégio eleitoral é composto pelas federações, com votos de peso três, pelos clubes da Série A, de peso 2, e integrantes da Série B, todos com peso 1. Apenas para se lançar candidato, o ex-jogador terá que ter o apoio formal de quatro federações e quatro clubes. A questão maior é quem está disposto a se expor e desafiar o grupo atual, correndo risco de retaliações políticas e financeiras. Por isso mesmo, Ronaldo anunciou que a partir de janeiro começará um tour pelo Brasil para fazer contatos, ouvir pleitos e reclamações e tentar viabilizar sua candidatura. A seu favor, inicialmente, terá o seu currículo em campo, seu perfil empresarial e importante trânsito na Fifa e na própria Uefa, que representa o futebol europeu. Não foi por acaso que esteve recentemente com o presidente da Fifa, Gianni Infantino, no sorteio do Mundial de Clubes. Isso não significa, porém, que contará incondicionalmente com o apoio do suíço-italiano. No último imbróglio envolve<CF50>ndo a permanência de Ednaldo na CBF, Infantino o apoiou claramente. A experiência de Ronaldo como dirigente, por enquanto, se resume ao trabalho no Valladolid, da Espanha, e até recentemente no Cruzeiro, como sócio-majoritário. Há alguns meses, vendeu 90% das ações do clube mineiro para o empresário Pedro Lourenço. E em nenhum dos dois clubes desenvolveu grande gestão. Apesar de sua ligação histórica com o Cruzeiro, onde surgiu efetivamente para o futebol mundial, foi muito contestado e hostilizado pelos torcedores, em razão da fraca performance do time no Campeonato Brasileiro. O projeto</CF> de Ronaldo para assumir a CBF tem por base o investimento privado, o que poderá sensibilizar o colégio eleitoral. Os detalhes só serão revelados a partir do início da campanha pelo Brasil. Em tese, o Fenômeno pode significar uma mudança radical no futebol brasileiro, principalmente em termos de gestão. Federações e clubes, contudo, terão que assumir uma postura diferente da atual, com coragem e independência para exigir um novo modelo ao futebol brasileiro.