(Tânia Rêgo/ Agência Brasil) Com a participação de 128 clubes, divididos em 32 grupos espalhados pelo Estado, começou na sexta-feira a Copa São Paulo de Futebol Júnior, a maior competição de base do Brasil. O torneio entra na 56ª edição, comprovando sua importância no futebol brasileiro e organizada pela Federação Paulista de Futebol (FPF). De pronto, essa longevidade demonstra o acerto da iniciativa, assim como o gradativo do número de participantes, oriundos praticamente de todo o País. Na verdade, houve um inchaço gradativo ao longo dos anos, atendendo também a interesses políticos. Porém, o torneio não perdeu sua validade. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Somente esse ano, a Copa São Paulo de Futebol Júnior terá a estreia de 22 clubes, alguns totalmente desconhecidos e de nomes curiosos, como o Meia-Noite, de São Paulo, e o Real, de Roraima, além de Águia de Marabá, do Pará; Centro Olímpico, de São Paulo; Guanabara City, de Goiás, e Quixadá, do Ceará, dentre outros. A origem de algumas agremiações é também desconhecida e especula-se que por trás estão apenas empresários interessados em revelar um ou outro jogador e negociá-lo de pronto com um grande clube do futebol brasileiro. Qualquer jovem atleta tem hoje um estafe digno de uma estrela de ponta. Os números do futebol brasileiro e mundial são tão astronômicos que a única solução é investir na base e no processo de formação própria. É um período longo, que leva alguns anos, mas positivo do ponto de vista técnico e altamente rentável. Muitos são os exemplos recentes de clubes realizando grandes negócios. O Palmeiras é o principal, com Endrick vendido ao Real Madrid e hoje emprestado ao Lyon, da França, e Estevão comprado pelo Chelsea, da Inglaterra, a peso de ouro. No passado, há outros grandes exemplos, como Vinicius Júnior, vendido pelo Flamengo, e Robinho e Rodrygo, pelo Santos. Literalmente, foram formados na base de seus clubes e pagaram o investimento com juros e correção monetária. Trata-se de um processo que infelizmente vai continuar, pois é grande a disparidade entre as realidades do Brasil e da Europa e agora, mais especificamente, do mundo árabe. O processo de venda é inevitável e com o advento das SAFs no Brasil, a tendência é que se amplie. Nos clubes associativos, ainda prevalece o sentimento de ligação com o time, ao contrário do modelo profissional de gestão, que tem na sua essência o negócio e, evidentemente, o lucro. A Copa São Paulo de Futebol Júnior tem que ser acompanhada desde a fase inicial, de grupos, que classifica os dois primeiros para a etapa de mata-mata, que será disputada em jogo único e, em caso de empate, decidida na cobrança de pênaltis. A competição deve ser encarada como um verdadeiro garimpo, na expectativa de descobrir uma pedra a ser lapidada. Para os atletas dos grandes clubes, como Santos, Palmeiras, Botafogo, Corinthians, Cruzeiro, Grêmio, Internacional e Fluminense, dentre outros, é a grande oportunidade do jovem comprovar que já está pronto para o futebol profissional. A grande maioria dos treinadores dos times principais costuma acompanhar de perto as partidas, justamente para observar os que devem ser rapidamente integrados à equipe, independentemente da idade. O Santos está no Grupo 16, com sede em são Carlos; o Corinthians integra o 8, em Jaú; o São Paulo caiu no 19, em Sorocaba; e o Palmeiras no 27, em Barueri, justamente onde tem seu segundo estádio, arrendado em razão dos problemas que enfrenta para utilização permanente do Allianz Parque, na prática uma arena multiuso. Ao longo dos anos, para comprovar sua relevância, a Copa São Paulo de Futebol Júnior revelou jogadores como Falcão, em 1972, na época no Internacional; Raí, em 1983, no Botafogo de Ribeirão Preto; Djalminha e Júnior Baiano, em 1990, no Flamengo; e um gênio, Denner, em 1991, pela Portuguesa. Lamentavelmente, Denner faleceu precocemente em um acidente de carro, na época em que defendia o Vasco da Gama. Entre os goleiros, surgiram Rogério Ceni, no tricolor paulista, e Dida, pelo Vitória. No Santos, a grande estrela foi Robinho, eleito o melhor jogador da Copinha em 2002, apesar do time ter sido eliminado nas oitavas em final. Também merecem destaque Lucas Moura e Marquinhos, titular do PSG, da França, há quase 10 anos. Assim, a Copa São Paulo de Futebol Júnior é muito mais que um grande evento que tem a final no dia do aniversário da cidade de São Paulo, em 25 de janeiro. É um dos momentos mais importante do futebol brasileiro. Tem olheiro até do exterior.