(Cesar Greco/Divulgação Palmeiras/Arquivo) Numa decisão inédita, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) condenou o jogador Dudu, do Atlético-MG, por ofensas misóginas contra a presidente do Palmeiras, Leila Pereira. O atleta recebeu pena de seis jogos de suspensão e terá de pagar uma multa de R\$ 90 mil. A decisão foi unânime e tem efeito imediato. A sentença do STJD deverá ser um marco importante na relação entre clubes e atletas. Muitos são os casos de rompimento conturbado na relação entre as partes e normalmente nada acontece, como se as palavras e posturas não tivessem um significado. A convivência tem que ser respeitosa e, principalmente, profissional, tanto no campo como fora das quatro linhas. A disputa entre Leila e Dudu começou em maio de 2024, quando o jogador surpreendeu o clube palmeirense ao informar sua disposição de se transferir para o Cruzeiro. A negociação, inicialmente, se desenvolveu em sigilo, sem qualquer conhecimento do time paulista. O atacante chegou a se despedir da torcida em suas redes sociais, causando mais um desconforto na relação. De repente, porém, o atleta recuou e decidiu permanecer no Palmeiras, “azedando” de vez a sua relação com o Palmeiras e com Leila. No final do ano, Dudu rescindiu seu contrato e assinou com o Cruzeiro, praticamente sem custos. Posteriormente, durante uma solenidade de lançamentos dos novos uniformes do clube alviverde, a dirigente criticou a postura do jogador e deixou claro que ele causou um grande prejuízo financeiro, na medida em que a transferência definitiva praticamente ocorreu a custo zero. Segundo Leila, o Palmeiras perdeu milhões de reais. Dudu respondeu de forma bastante agressiva nas redes sociais, chamando inicialmente a dirigente de falsa, além de questionar sua postura pública e usar a sigla VTNC. Acrescentou, textualmente: “O caminhão estava pesado e mandaram eu sair pelas portas do fundo. Minha história foi gigante e sincera, diferente da sua, senhora Leila Pereira. Me esquece, VTNC”. A presidente do Palmeiras considerou a conduta do jogador machista e gravemente ofensiva, acionando de pronto seus advogados, tanto na área esportiva como nas esferas cível e criminal. O atleta não parou com suas agressões e se aproveitou de um comentário de um conhecido apresentador de TV elogiando a dirigente. Sem hesitar, fez um apelo para que a mídia parasse de elogiar a dirigente e disse que ela é “mais falsa do que uma nota de R\$ 2” - na verdade, ele quis fazer referência à expressão “mais falta do que uma nota de R\$ 3”. Dudu ainda compartilhou novas ameaças, prometendo até revelar detalhes do processo que a levou à presidência do clube.</CW> Em abril, vendo que sua situação se complicava, o atleta apresentou sua defesa à Justiça de São Paulo, alegando, sem qualquer constrangimento, que a sigla “VTNC” significava “vim trabalhar no Cruzeiro”. E ainda teve o cinismo de pedir que Leila se retratasse publicamente e até nos telões do estádio Allianz Parque. Para piorar, confirmando sua postura equivocada, Dudu foi dispensado pelo Cruzeiro em maio e rapidamente assinou como Atlético-MG, maior rival do ex-time. Leila não perdeu a oportunidade e declarou sua esperança de que a Justiça atuasse com rigor por considerar que a atitude do atleta, desde o início, teve motivação de gênero. Na última sexta-feira, ocorreu o julgamento e o atleta, ao invés de comparecer à audiência, mandou apenas um vídeo, pedindo desculpas às mulheres em geral. Leila reagiu forte, chamando-o de covarde. Com certeza, Dudu esperava que as palavras se perdessem no tempo e nada ocorresse de prático. É comum, no Brasil, infelizmente, a falta de reação diante de injúrias, calúnias ou difamações. Com Leila foi diferente, num exemplo positivo para o futebol e para a sociedade em geral. A liberdade de expressão é inegociável, mas é preciso responsabilidade diante de qualquer manifestação pública. Que Dudu aprenda a lição!