De repente, o poderoso Palmeiras, até então o único invicto na Copa Libertadores, foi superado pela LDU, do Equador, por 3 a 0, e ficou numa situação muito difícil para passar à final da competição (Divulgação) Na semana passada, um dos pontos abordados foi a imprevisibilidade do futebol. Dias depois, mais uma vez isso se confirmou. De repente, o poderoso Palmeiras, até então o único invicto na Copa Libertadores, foi superado pela LDU, do Equador, por 3 a 0, e ficou numa situação muito difícil para passar à final da competição. A derrota em Quito foi a pior em 30 anos de Libertadores e significou também a perda da chance de igualar a maior sequência invicta contra equipes estrangeiras na competição. O recorde foi estabelecido entre 2000 e 2006, com 15 vitórias e 11 empates em 26 jogos. Vale destacar que a LDU não é um time qualquer e tem história na própria Libertadores. Participa do torneio pela 22ª vez e possui em seu currículo a conquista do título em 2008, em pleno Maracanã, contra o Fluminense. No mesmo ano, foi vice-campeã mundial. E tem mais: por duas vezes, ganhou a Copa Sul-Americana, ambas contra equipes brasileiras, Fluminense e Fortaleza. É óbvio que a altitude de Quito, com mais de 2.800 metros, teve influência no placar, porém, desde o início o Palmeiras foi um time apático, sem a personalidade que o caracterizou nos últimos anos sob comando do técnico Abel Ferreira. Foi um time defensivo, facilitando o domínio e a posse de bola do adversário. Essa postura ajudou a missão da LDU, que chegou facilmente aos 3 a 0 ainda no primeiro tempo. E a equipe equatoriana só não ampliou a vantagem por detalhes. O resultado, até certo ponto surpreendente, colocou o Palmeiras numa situação muito difícil, pois terá que fazer um mínimo de três gols de diferença no jogo de volta, quinta-feira, para provocar uma decisão por pênaltis. Ou garantir diferença de quatro ou mais gols para assegurar uma classificação direta. Não é impossível. Contudo, terá que jogar muito e se superar. A história da Libertadores mostra que, em apenas cinco oportunidades, times conseguiram reverter uma derrota para 3 a 0 e garantir a classificação. Em 1993, por exemplo, na fase de oitavas, o El Nacional, do Equador, fez 3 a 0 na partida de ida e depois perdeu por 4 a 0 para o Sporting Cristal, do Peru. Depois, em 1999, a história se repetiu entre Estudiantes de Mérida, da Venezuela, e Cerro Porteño, do Paraguai, com o time de Assunção conseguindo reverter uma situação igual à do Palmeiras ao golear o rival venezuelano por 4 a 0. A questão é que a LDU é um time forte, competitivo e comandado por um brasileiro, o técnico Tiago Nunes, que conhece bem nosso futebol e as circunstâncias de jogar sob grande pressão. Estrategicamente, após a grande vitória, disse que o Palmeiras é o time mais competitivo da América, num alerta aos seus jogadores para afastar qualquer tipo de otimismo exagerado. Não dá para cravar que o Palmeiras está eliminado, porém, sua missão será muito difícil. Na bolsa de apostas, sem dúvida, o time equatoriano é o favorito. Do outro lado da chave está o Flamengo, que também terá uma missão difícil, ainda que a situação seja bem melhor. No jogo de ida, venceu o Racing, da Argentina, por 1 a 0 no Maracanã e pode até empatar para garantir uma vaga na grande final. Mesmo com a vantagem, entretanto, terá muitas dificuldades, pois o Racing é um dos mais tradicionais times argentinos, tem uma torcida que intimida os adversários, empurra o time e está em grande fase, depois de um período dramático, que colocou em risco até a sua sobrevivência como clube de futebol. A vantagem obtida no Rio de Janeiro não coloca o Flamengo como favorito, pelo contrário. Trata-se de uma partida cujo resultado é imprevisível, dependendo muito do time que eventualmente conseguir um gol. De modo algum, o Flamengo poderá ter como meta assegurar o empate, pois está mais do que comprovado que tal postura, na maioria das vezes, é fatal. Desde a fase eliminatória da Libertadores, se imaginava uma final brasileira entre Flamengo e Palmeiras. Ela pode até ocorrer, porém, não será surpresa um confronto decisivo entre LDU e Racing. Jogo aberto no Allianz Parque e no Estádio Presidente Perón.