(Divulgação/ATP Challenger) No Brasil, infelizmente, é muito curta a distância entre uma vitória e uma derrota, independentemente da modalidade esportiva. Na maioria das vezes, a análise tem por base apenas o resultado, sem qualquer preocupação com as circunstâncias. O surgimento do jovem tenista João Fonseca, ainda com apenas 18 anos, trouxe ao Brasil a esperança de finalmente contar com um jogador de ponta, pelo menos um top 10 no ranking mundial. A comparação com Guga, que encantou o mundo, foi inevitável e até aceitável. Porém, prevaleceu o açodamento, exigindo que a ascensão fosse meteórica. Naturalmente, não ocorreu, mas é inegável que João Fonseca tem potencial para muito em breve se consolidar como um dos grandes tenistas do mundo. No ranking de amanhã deve aparecer entre 44º e 46º lugar, a melhor posição desde que optou pela carreira profissional, há pouco mais de um ano. Na semana que passou, juntamente com Bia Haddad Maia, João Fonseca disputou o Masters 1000 de Cincinnati, nos Estados Unidos. Na terceira rodada, foi eliminado pelo francês Térence Atmane, 136º do mundo, que teve que disputar o torneio qualificatório para conquistar o direito de entrar na chave principal. A derrota foi suficiente para que alguns especialistas criticassem bastante o brasileiro e até questionassem seu futuro no tênis. Pois bem: na sequência do torneio, o francês eliminou dois jogadores entre os 10 melhores do mundo, o americano Taylor Fritz (4º do ranking) e o dinamarquês Holger Rune (9º). Ontem, ele foi derrotado pelo italiano Jannik Sinner, líder do ranking, na semifinal. Tais resultados demonstram de pronto que o brasileiro perdeu para um desses jogadores que de repente surgem no circuito com um ranking muito longe de sua real qualidade técnica. Atmane, fora da quadra, é um verdadeiro gênio, com um QI 158, quando o normal para a grande maioria dos cidadãos é entre 85 e 100. Tem a seu favor também, além do alto nível técnico, o fato de ser canhoto, o que sempre dificulta os adversários. A grande maioria é destra, tanto que apenas cerca de 10% dos tenistas masculinos têm tal perfil. Para completar, o francês ainda tem 1,93 metro de altura, o que lhe garante um forte serviço. Algumas curiosidades de Atmane no milionário mundo do tênis: atualmente não tem nem patrocínio, conta apenas com a Tecnifibre, que fornece as raquetes. Há alguns meses, foi desligado da Asics e teve que comprar roupas e tênis. E mais: não conta com advogado, empresário ou agente de carreira. Brincando, disse que as vitórias foram também efeito do novo penteado, cheio de caracóis. “Eu queria ficar mais parecido com Cristiano Ronaldo”, declarou. Para João Fonseca, no confronto contra Atmane, faltou inicialmente experiência para fazer a correta leitura do jogo e alterar sua tática na tentativa de mudar o panorama da partida. Isso só vem com o tempo, com amadurecimento e muita vivência em quadra. O brasileiro insistiu muito com seu melhor golpe, atacando o forehand, justamente o ponto forte do adversário, por ser canhoto. Assim mesmo, no segundo set, o brasileiro conseguiu pontos importantes, mostrando que, apesar da derrota, está evoluindo a cada torneio. Com certeza, continuará crescendo no ranking. O foco agora é o US Open, nos Estados Unidos, último Grand Slam de 2025.</CW> No sentido contrário, está Bia Haddad Maia, mais uma vez eliminada na primeira rodada de um grande torneio. A brasileira foi superada pela australiana Maya Joint, 44º do mundo, por 2 sets a 1. Foi a terceira derrota consecutiva no circuito, comprovando que vive uma fase muita negativa. E mais: novamente apresentou problemas físicos, indicando que também enfrenta falta de condicionamento. Bia cometeu 18 duplas faltas, comprometendo qualquer possibilidade de vitória. Um absurdo no tênis profissional. Aos 29 anos, a tenista parece viver grande insegurança e exibe pouca força mental, além de demonstrar que continua com sérios problemas de movimentação na quadra. Quase sempre fracassa quando a adversária varia os golpes, explorando as laterais. Atual 21ª do mundo, Bia infelizmente indica que atingiu seu limite. Na verdade, até se superou chegando bem próxima do top 10. Tem, sem dúvida, méritos em sua carreira, pois quem acompanha o mundo do tênis sabe que é muito difícil chegar até entre os 30 ou 40 melhores do mundo. Em oito WTAs 1000 disputados este ano, ela venceu apenas uma partida. A brasileira caiu na estreia em Doha, Dubai, Indian Wells, Miami, Roma, Montreal e, agora, Cincinnati. Na capital espanhola, foi eliminada na segunda fase. Bia ainda tem um compromisso em seu calendário antes do US Open: o WTA 500 de Monterrey, no México. Se não superar sua falta de confiança, dificilmente terá chance no torneio americano. João Fonseca, ao contrário, apesar da juventude, tem tudo para fazer mais sucesso e silenciar os críticos que vivem do imediatismo.