[[legacy_image_302684]] Foram quatro grandes jogos, nas duas semifinais, confirmando que a Libertadores da América é realmente uma competição empolgante, diferente e extremamente rentável. Além de dar ao vencedor um status praticamente universal, na medida que também o credencia a disputar o Mundial de Clubes, contra os campeões dos outros continentes. Importante: quem vencer no dia 4 de novembro, no Maracanã, na verdade participará de dois mundiais: o primeiro de 12 a 22 de dezembro, na Arábia Saudita, com sete clubes e no formato atual. O segundo em 2025, na primeira edição da nova competição idealizada pela Fifa, nos Estados Unidos, reunindo 32 equipes, como evento-teste para a Copa de 2026. A primeira semifinal foi emocionante, reunindo o Fluminense de Fernando Diniz, e o Internacional do argentino Eduardo Coudet e seu inseparável cachecol, faça chuva ou faça sol. Pura superstição, que surgiu quando sofreu uma derrota na Argentina, quando dirigia o Racing e, por coincidência, estava sem o acessório. Depois disso, virou amuleto da sorte e conquistou o título de campeão. É difícil definir o melhor dos dois jogos, um no Maracanã e outro no Beira-Rio. O primeiro terminou com empate de 2 a 2, de forma dramática. E o segundo, no Sul, registrou a virada do clube carioca por 2 a 1, com gols de John Kennedy e do incrível German Cano, rigorosamente um artilheiro com faro de gol. É disparado o melhor atacante da competição. É óbvio que a classificação do Fluminense decorreu dos dois jogos, porém, é inegável que o Internacional teve tudo para sair do Maracanã com uma vitória. Foi incompetente, nessa partida começou a perder a chance de ir para a final. Fez 2 a 1 e ainda jogou bom tempo com um jogador a mais, em razão da expulsão de Samuel Xavier. Mesmo inferiorizado, comprovando que efetivamente é um time que joga diferente de todos, com base na coragem e ousadia, o Fluminense fez 2 a 2 e foi para o Sul pelo menos nas mesmas condições do adversário. O chamado Dinizismo, contudo, venceu novamente, para o bem do futebol brasileiro. Diante do placar adverso, 0 a 1, Fernando Diniz colocou o seu time num claro 6-1-3, mesmo correndo o risco de levar o segundo gol. E só não sofreu porque o equatoriano Enner Valencia desperdiçou duas grandes oportunidades para definir a partida. O resultado foi a virada com dois heróis: Cano e Kennedy. Esse último, mais uma grande revelação do futebol brasileiro, fez um e, de calcanhar, deu o passe para o segundo gol, que garantiu a vitória. John Kennedy é um jogador a ser bem observado: tem muito talento e é jovem. Só não se consolidará como um craque se se perder pelos caminhos que a fama e o dinheiro fácil proporcionam e via de regra tragam uma carreira promissora. Kennedy vem de um período problemático fora do campo e foi praticamente resgatado por Fernando Diniz. Na segunda semifinal, entre Palmeiras e o temível Boca Juniors, mais dois jogos emocionantes. No primeiro, em La Bombonera, 0 a 0, com tudo indicando que, na volta, no Allianz Parque e seu gramado sintético, o time brasileiro se credenciaria a mais uma final. Ledo engano, prevaleceram a tradição e a garra do time argentino, mesmo com 10 jogadores, após a expulsão de Rojo no segundo tempo. O Palmeiras ainda fez 1 a 1, mas, nos pênaltis, parou no grande goleiro Sérgio Romero. Assim, mais uma vez, Boca na final. O Palmeiras sentiu principalmente a falta de Dudu, que só voltará a jogar em 2024. Uma grande decepção para o clube, seus torcedores e o técnico Abel Ferreira. Não pode ser responsabilizado, pelo contrário, seu trabalho é único e exemplar. Na verdade, o Palmeiras perdeu jogadores fundamentais nos últimos tempos, como Gustavo Scarpa e agora Dudu, entre outros. A diretoria não repôs e o reflexo foi a eliminação. Teoricamente, o Fluminense é o grande favorito para a final, no dia 4 de novembro. Primeiro porque o jogo será no Maracanã, e segundo por ter um time mais técnico e um treinador que muito contribui para recuperar a essência do futebol brasileiro. Ao Palmeiras só restou uma tênue esperança de conquistar o Campeonato Brasileiro. O jogo hoje é contra o Santos, que tenta se afastar da zona do rebaixamento. Talvez seja a grande chance de o time santista quebrar um tabu de quatro anos sem vitórias sobre o arquirrival e confirmar sua fase de recuperação.