(Alexsander Ferraz/AT) O encontro foi para uma sessão fotográfica, com foco na temporada de 2025, visando principalmente ações institucionais. Primeiro chegou Abel, um dos grandes pontas esquerdas da história do Santos. Entrou no salão ao seu estilo silencioso e andar lento, bem diferente do ritmo que tinha em campo. Na sequência, apareceu Manoel Maria, ponta-direita que fez história no Santos com seu estilo driblador e rápido. Marcou época e só não fez mais em razão de um grave acidente de carro em 1970, quando se consolidava como um dos melhores jogadores da posição, cotado até para seleção brasileira. Voltou a jogar, porém, não manteve a ascensão meteórica do início da jornada. Voltou em 1971, num amistoso contra o Boca Juniors, e teve a honra de substituir Pelé, que se tornou um dos seus melhores amigos. Logo depois apareceu Edu, com seu sorriso permanente, extravasando alegria. Por isso, não há quem resista em cumprimentá-lo. A mesa vai se formando naturalmente, contando também com o ex-goleiro Lalá, integrante da grande escola de arqueiros que fizeram história na Vila Belmiro, como Gylmar, Laércio, Cláudio, Cejas e Rodolfo Rodriguez. A conversa fluiu naturalmente, quase sempre sobre futebol e a grande história que construíram em campo. Minutos depois, mais um destaque: Mengálvio Figueiró, parceiro eterno de Zito no meio-campo do time que encantou o mundo do futebol. Ao lado da mulher, numa carreira de rodas para facilitar a locomoção, Menga se junta ao grupo e aumenta o nível de provocações sadias e lembranças de um passado eterno. Com pequenos intervalos, chegam Negreiros, que formou durante muito tempo o meio de campo ao lado de Clodoaldo, e Serginho Chulapa, praticamente com o mesmo corpo da época em que encerrou a sua carreira. O centroavante é quase sempre um dos mais procurados pelos torcedores. De repente, ao lado da filha e modelo Clô, surge Pepe, que recentemente completou 90 anos e ultimamente vem recebendo a mais diversas homenagens. Com o sorriso de sempre, começa a provocar os amigos de longa data. Quase sempre os alvos são Abel e Edu, que também fizeram história na ponta-esquerda. No Santos e na seleção brasileira. Pepe repete uma de suas brincadeiras de sempre, dirigindo-se a Abel e Edu: “Quando eles apareciam nos treinos, eu ficava bem tranquilo e dizia que tinham chegado os meus reservas”. A risada é geral, sem qualquer mágoa. Logo vinha a solução: Abel na direita, Edu como centroavante ou meia, jogando até com a camisa 10, e Pepe na esquerda. Para completar, Manoel Maria iria de meia-direita, completando um ataque fantástico. Pepe não para um instante e repete outra de suas muitas brincadeiras. Olha para um jornalista e dispara: “Esse é o segundo melhor do País...”. O profissional, que há muito conhece a provocação, se mostra feliz pela colocação no ranking e reage para permitir o complemento. “Muito obrigado, estou feliz, mas Seo Pepe quem é o primeiro”? Como canhão da Vila Belmiro, ergue a mão direita e responde sem hesitar: “Everybody”, todos os outros empatados em primeiro lugar. Não há quem não caia na gargalhada. E a resenha continua com brincadeiras e muitas lembranças de um time que encantou o mundo. Só é interrompida com a chegada de um grupo de torcedores que visita a Vila Belmiro e é autorizado a se aproximar dos ídolos. A sessão de fotos e pedidos de autógrafos e inevitável. Por fim, chega Clodoaldo Tavares Santana, que um dia recebeu a camisa 5 de titular das mãos do grande capitão Zito. Esse tem até estátua defronte à Vila Belmiro, na Rua Princesa Isabel, bem próximo ao bar do Alemão, um dos mais famosos torcedores do Santos. Hoje, sem dúvida, é Alemão paz e amor, contrariando o passado fanático das arquibancadas do Brasil, quando era temido em qualquer campo. Da grande equipe que foi bicampeã mundial, considerada a melhor de todos os tempos, infelizmente, continuam conosco apenas Pepe e Mengálvio. Pepe recentemente completou 90 anos e recebeu uma grande homenagem do Santos no famoso Memorial das Conquistas, na Vila Belmiro, onde está a maior parte de sua história, do clube e do Rei Pelé. Na sexta-feira, no Museu Pelé, foi aberta uma exposição em mais uma homenagem a Pepe e seus 90 anos. Casa cheia e com todos ídolos eternos presentes, além de Edinho, filho de Pelé. Em seu discurso, Pepe lembrou mais uma de suas tradicionais provocações, destacando que é o maior artilheiro da história do Santos, com mais de 400 gols. Aos que questionaram, lembrando os mais de 1.000 gols de Pelé, o canhão da Vila disparou sua “bomba verbal”: “Esse não vale, era extraterrestre”.