(Reprodução/ X) O resultado é sempre importante, é inegável, porém, impõe-se analisar o contexto do trabalho, cujo objetivo maior é a Copa do Mundo de 2026, que será disputada em três países e que pela primeira vez terá 48 seleções. Por enquanto, levando-se em consideração também a necessária adaptação do técnico Carlo Ancelotti ao futebol brasileiro, vale mais observar as experiências, os jogadores e a proposta tática para levar o Brasil ao tão sonhado hexacampeonato. De pronto, importante destacar que o Brasil, ontem, não enfrentou uma seleção qualquer. Senegal, da chamada África Ocidental, irá pela terceira vez seguida disputar uma Copa do Mundo, e a maioria dos atletas joga na Europa, em centros como Inglaterra, Espanha e Alemanha. Por incrível que pareça, até o confronto de ontem foram dois jogos, com uma vitória do Senegal e um empate. Do jogo de ontem, vale concluir que gradativamente Ancelotti está definindo o grupo que vai para a Copa. O funil está se fechando, os que sonham em embarcar no ‘bonde da Copa’ devem se apressar. Para alguns especialistas, das 26 vagas, pelo menos 18 estão definidas, as dúvidas envolvem especificamente a lateral esquerda, os três goleiros e talvez o meio-campo, no aspecto mais ofensivo. A experiência realizada com Éder Militão na lateral direita foi muito interessante e não se tratou de nenhuma improvisação, até porque esse jogador, no São Paulo, atuou muito nessa posição. O objetivo maior foi fortalecer a defesa sem perder o apoio ao ataque, em razão principalmente de o treinador já ter emitido sinais de pretender escalar o time com quatro atacantes, todos habilidosos e velozes. Contra Senegal, a exemplo da partida contra a Coreia, foram Estevão, Rodrygo, Matheus Cunha e Vinícius Júnior. Tudo indica que pode variar apenas na vaga de Matheus Cunha. A proposta é clara: seguro na defesa e ousado no ataque, tendo como apoio, para os dois setores. Casemiro, a cada jogo, se consolidada como líder do time e a alma de Ancelotti em campo. Que se faça justiça: recuperou seu bom futebol e a capacidade de marcar e atacar, seu gol contra Senegal é mais uma prova de seu bom momento. Salvo imprevistos, será sua terceira Copa do Mundo. A convocação de Fabinho, atualmente no Al-Ittihad, da Arábia Saudita, foi estratégica e rigorosamente pensando na Copa do Mundo. Seu estilo de jogo é muito semelhante ao de Casemiro, seria um risco contar com apenas um atleta com tal perfil em uma competição em que cada jogo é uma decisão. O jogador, com certeza, deverá ser utilizado no segundo amistoso dessa Data Fifa, na terça-feira, em Lille, na França, contra a Tunísia, outra seleção classificada para a Copa. Se for bem, com certeza estará no grupo dos 26 que irão à Copa, limitando ainda mais as chances dos que sonham com uma vaga no grupo do treinador italiano. Estevão praticamente garantiu sua vaga. Parece um veterano, lembrando Edu, do Santos, convocado antes de completar 17 anos para a Copa de 1970. Contra Senegal, foi bem e fez mais um gol, o quarto em sua curta carreira na seleção. Completa bem a quadra que tem como destaques Vinícius Júnior e Rodrygo, dois atacantes de alto nível e de plena confiança de Ancelotti. Conviveram muito no Real Madrid e realizaram grandes feitos. Em síntese, depois da vitória de ontem, no mínimo, pode haver otimismo. Pelo mundo, mais uma vez, a repercussão foi muito positiva e sugestiva. O diário As, da Espanha, por exemplo, produziu sua manchete em tom de alerta mundial, destacando a importância do trabalho do treinador: “Ancelotti despierta um monstruo”. A vitória sobre Senegal também foi importante para observar os critérios que devem nortear as atuações dos árbitros na competição. Os brasileiros terão que se adaptar em termos de estilo de arbitragem e excesso de reclamações diante de qualquer jogada. A máxima de que futebol é um jogo de contato físico deve prevalecer sempre, ao contrário do que ocorre no Brasil. Até ontem pela manhã, 30 seleções garantiram vaga na Copa do Mundo de 2026. Os favoritos são os de sempre, na mais pura teoria, entre eles, é óbvio, o Brasil. Nem sempre, porém, vence o melhor, muitas foram as injustiças de uma Copa do Mundo, com a Hungria em 1954, a Holanda em 1974 e a seleção Brasileira de 1982. É preciso sorte e principalmente competência.