(Reprodução/ CBF) O imbróglio continua, sem previsão de prazo para terminar e principalmente sem definição de quem será o personagem a ser confirmado para o cargo de técnico da seleção brasileira. São mais de 30 dias sem treinador, desde a demissão de Dorival Júnior no final de março. A cada semana o quadro se altera, um favorito é quase descartado e um outro, até então apenas uma possibilidade remota, surge bem na bolsa de apostas. É o caso de Abel Ferreira, do Palmeiras, que, infelizmente, era pouco cogitado e agora comenta-se até que o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ednaldo Rodrigues, pode procurar Leila Pereira, a grande revelação do colégio de dirigentes do futebol brasileiro. A relação entre Leila e Ednaldo é boa e os últimos indícios indicam que “pode haver conversa”. Ao contrário de declarações anteriores, a dirigente não descartou a liberação de Abel Ferreira, destacando que, se realmente houver interesse, o presidente da CBF vai procurá-la diretamente. No quadro que se apresenta e diante do momento complicado da seleção brasileira, o português do Palmeiras é o ideal. Conhece bem os jogadores que estão aqui ou fora do País, tem personalidade e autoridade para realizar um choque de gestão. O único empecilho é o Mundial de Clubes em junho, nos Estados Unidos, que o Palmeiras vê como a grande oportunidade de ganhar um título mundial e acabar com ironias e brincadeiras. O Brasil, nas Eliminatórias, jogará em junho contra o Equador e depois enfrenta o Paraguai precisando vencer para aliviar sua posição na tabela de classificação. Esse período antecede justamente a preparação para o Mundial de Clubes, complicando um pouco a opção por Abel Ferreira. Dificilmente, a priori, Leila Pereira o liberaria antes do Mundial, a obstinação por esse título é clara. A única saída seria o treinador acumular as duas funções, o que está longe de ser o ideal. Na corrida pelo cargo, além de Abel Ferreira, continuam Carlo Ancelotti e Jorge Jesus. O italiano, na semana passada, estava praticamente contratado, porém, de repente, foi descartado, por questões financeiras com o Real Madrid e o prazo de eventual desligamento. Segundo o noticiário espanhol, o treinador queria ser demitido para garantir o recebimento de multa contratual, já que seu contrato vai até junho de 2026. O clube, contudo, ciente das negociações com o Brasil, exigiu que o técnico pedisse demissão, para evitar a multa. Diante do impasse, novamente Ancelotti ficou longe de realizar o grande sonho de Ednaldo Rodrigues. Jornais e sites falaram até em “conversações encerradas”, mas nas últimas 48 horas parece que os contatos foram retomados. Apesar de competente e vitorioso, o italiano há muito esnoba o Brasil, adiando um posicionamento concreto, expondo a realidade do futebol brasileiro. É uma conversa que vem desde o ano passado, com diferentes versões e justificativas. Nenhuma outra seleção de porte viveu um descaso tão grande. Jorge Jesus, outro há muito cotado, simplesmente foi demitido pelo Ah-Hilal, da Arábia Saudita. Motivo: não ganhou absolutamente nada na temporada atual, tanto internamente como no torneio internacional que reúne as principais equipes da região, semelhante à Champions League. Em seu currículo, a rigor, a grande passagem pelo Flamengo, quando conquistou vários títulos importantes. À disposição tinha um grande time e um elenco muito forte, seu maior mérito foi controlar os egos das estrelas da época. No mercado brasileiro atual, nenhum treinador tem status para assumir a seleção brasileira. À exceção de Filipe Luís, do Flamengo, iniciando uma carreira com sucesso, os últimos destaques são estrangeiros, principalmente portugueses. A maior prova disse é o numero de técnicos europeus e sul-americanos no Brasil. Em meio a tanta indefinição, o Brasil tem prazo para enviar para a Fifa a relação dos jogadores convocados para a próxima rodada das Eliminatórias. Pelo calendário, o limite será 18 de maio. Fica a dúvida: se não houver acordo com nenhum dos treinadores, quem definirá e anunciará a lista? Parece inacreditável que o pentacampeão mundial chegou a esse ponto. Parece uma nau sem rumo.