(Divulgação) Sob algumas dúvidas, críticas e vários pontos positivos, termina hoje num novo modelo o primeiro Mundial de Clubes idealizado pela Fifa neste novo formato. Na final, dois gigantes do futebol europeu, como se esperava: PSG e Chelsea. Entre os brasileiros, curiosamente, o destaque foi o Fluminense, que chegou até a semifinal com um futebol pragmático e consciente de sua inferioridade técnica. Fez o máximo dentro de seu nível. Os demais, Palmeiras, Flamengo e Botafogo, fizeram o possível. O problema dos três foram erros absurdos em momentos importantes, comprometendo o resultado final. Os três e mais o Fluminense, porém, saem felizes, com uma premiação em dinheiro absurda, que muito ajudará na volta para casa. O que mais ganhou foi o Fluminense, faturando cerca de R\$ 331 milhões. Os demais também não têm o que reclamar, embolsando quantias superiores a R\$ 250 milhões. O confronto entre gigantes europeus e brasileiros comprovou que ainda é grande a diferença técnica entre o futebol praticado nos dois continentes. Tanto em termos de qualidade como tático, isso ficou claro nos momentos decisivos. O Flamengo, por exemplo, num dos grandes jogos da competição, foi eliminado pelo Bayern de Munique num jogo em que a tônica foram os erros defensivos. A partida, porém, exibiu claramente a diferença geral entre os dois clubes. Pelo elenco e investimentos, se esperava mais do clube carioca. O algoz do Palmeiras e Fluminense foi o temível Chelsea, que se classificou até contrariando os prognósticos, por viver hoje um processo de reformulação de elenco. Muitos imaginavam que na final estaria Real Madrid ou Manchester City. Ambos, contudo, decepcionaram, principalmente o time inglês, que perdeu para o Al-Hilal, da Arábia Saudita, por 4 a 3, no confronto mais emocionante da competição. O resultado indica que não se deve mais subestimar o chamado mundo árabe, que não tem limite de investimentos. A região reúne hoje muitos craques de primeira linha, num processo semelhante ao que foi realizado pelo Japão há algumas décadas. O poderoso Real Madrid também foi uma grande decepção, pela fama e nível técnico se esperava muito mais. Nesse contexto está o brasileiro Vini Júnior, que a rigor não brilhou no nível de seu status. Com razão, foi muito criticado principalmente pelos grandes jornais espanhóis, que questionam até a validade de sua continuidade no clube. O time vive o início de uma nova fase, com a contratação de Xabi Alonso, que promete grandes mudanças e ameaça também a sequência da Rodrygo, que no Mundial foi titular em apenas uma oportunidade. A sensação, sem dúvida, é o PSG, que praticamente ganhou tudo o que disputou em seu país e pela Europa, com destaque para a tão sonhada Champions League. Apesar da derrota casual para o Botafogo, mostrou um grande futebol e um sistema tático quase perfeito, intimidando e massacrando adversários como Atlético de Madrid e o próprio Real, ambos por 4 a 0. O Inter Miami de Messi também levou a mesma goleada, num ritmo de treinamento do clube francês. Pelo momento, o PSG é sem dúvida o grande favorito para ser campeão. Tem tudo para vencer, desde grandes jogadores a um sistema tático que pode mudar a cara do futebol mundial. Não tem mais grandes estrelas, porém, conta uma equipe comprometida e com atletas decisivos e com espírito coletivo. Na mesma linha da famosa Holanda de 1974, que encantou o mundo com seu futebol total de pressão permanente sobre o adversário. Numa entrevista concedida ontem, rodeado de craques como os brasileiros Ronaldo e Kaká, além dos italianos Roberto Baggio e Del Piero, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, avaliou o Mundial em quatro palavras: “Enorme, enorme, enorme sucesso”. De pronto, ponderou que a final de hoje será assistida por cerca de 500 milhões de pessoas. Sobre as duras críticas que a competição recebeu por parte do presidente de LaLiga (Espanha), Javier Tebas, e do ex-treinador alemão Jürgen Klopp, o dirigente disse apenas que os comentários não representam todo o Velho Continente. Resposta diplomática, apesar do sucesso técnico e financeiro, alguns pontos precisam ser reavaliados, como por exemplo a época de disputa, que colide com as férias dos grandes centros esportivos e o meio das competições na América. No geral, entretanto, foi uma grande atração mundial, que, com certeza, provocará reflexos no futebol brasileiro com vistas à Copa do Mundo do próximo ano.