(Reprodução / Agência Brasil) Aos 19 anos, completados recentemente, o tenista João Fonseca continua escrevendo sua história. Sua última façanha foi tornar-se o mais jovem jogador a vencer uma partida na Laver Cup. Essa competição, em homenagem à lenda Rod Laver, foi criada em 2017, inspirada na famosa Ryder Cup de Golfe, e homenageia o lendário tenista australiano Rod Laver. O suíço Roger Federer, outro gênio do esporte, se despediu das quadras, em 2022, disputando exatamente esse torneio. Importante: até hoje, Fonseca foi o único brasileiro convidado. A Laver Cup é um campeonato rápido, reunindo uma seleção de tenistas europeus contra um time do mundo. São apenas 12 partidas de sexta a domingo, com nove jogos de simples e três de duplas, com pontuações diferentes ao longo da disputa. Na sexta-feira, cada partida dá um ponto para o vencedor. No sábado, dois pontos por vitória e, no domingo, três por cada resultado positivo. O time que garantir 13 pontos fica com o título. Em caso de empate em 12, haverá uma final de duplas. Apesar do caráter extraoficial em relação ao circuito da ATP (Associação dos Tenistas Profissionais), é uma competição importante, por pagar grandes prêmios financeiros e por reunir alguns dos melhores tenistas do mundo. A organização da Laver Cup convida automaticamente os três jogadores mais bem classificados no ranking da ATP, logo após o Grand Slam de Roland Garros. Se alguém recusa, o próximo na classificação é convocado, até completar a equipe. Cada time tem um capitão e um vice: o francês Yannick Noah e Tin Henman são do grupo do Europa, e o genial André Agassi, ao lado do australiano Patrick Rafter, comanda o Mundo. Eis os times: pela Europa, Carlos Alcaraz (ESP), Alexander Zverev (ALE), Holger Rune (DEN), Casper Ruud (NOR), Jakub Mensik (CZE) e Flavio Cobolli (ITA). Representando o mundo estão Taylor Fritz (USA), João Fonseca (BRA), Francisco Cerundolo (ARG), Alex Michelson (USA) e Alex de Minaur (AUS). João Fonseca estreou contra o italiano Flavio Cobolli, 23 anos e número 25 do mundo, um dos bons tenistas da temporada. O brasileiro entrou em quadra muito festejado, mais até do que alguns americanos, apesar de o torneio este ano estar sendo disputado no Chase Center, em San Francisco, na Califórnia. E saiu aplaudido de pé. Além de vencer em dois sets, por 6/4 e 6/3, arrancou suspiros de surpresa com a força de seu forehand. Até Federer e Agassi se levantaram demonstrando incredulidade. É óbvio que o confronto não tem a mesma rivalidade de um torneio Master 1000 ou de um Grand Slam, porém, o espírito competitivo sempre prevalece. João Fonseca é atualmente o número 42 do mundo e desde o ano passado, a cada torneio, melhora sua posição, confirmando seu grande potencial. Sem dúvida, por tudo que tem feito, sofre uma grande pressão por resultados, principalmente da torcida brasileira, e isso, em razão da pouca idade e inexperiência, cria mais uma dificuldade em suas partidas. Com certeza, é plenamente natural que João Fonseca continuará subindo no ranking gradativamente. A expectativa geral dos brasileiros é que ele chegue a número 1 do mundo, como Gustavo Kuerten. Não há como garantir: a história do tênis demonstra que vários jogadores, com uma trajetória semelhante à do brasileiro, apesar de grandes resultados, jamais chegaram a tal colocação. O atual top 20 do tênis mundial reúne jogadores espetaculares, que flutuam nesse meio com sucesso em alguns torneios, mas nem assim conseguem assumir o posto de número 1 do mundo. O alemão Zverev é um bom exemplo, já chegou a número 2 e não consegue o posto máximo. Tudo indica que João Fonseca vai conseguir, assim como Guga, mas independentemente disso, tem que ser apoiado e reverenciado, como fizeram Agassi e Federer. Infelizmente, mais uma vez, há o outro lado do atual tênis brasileiro, que se chama Bia Haddad. Depois de fracassar no São Paulo Open, perdendo nas oitavas de final, embarcou para Seul, com a obrigação de defender os 500 pontos ganhos no ano passado. Deu pena, na estreia, apesar da vitória, observar a tenista com falta de ar, numa clara crise de ansiedade. Seu grande problema é mental, é inegável. Na quinta-feira, infelizmente, foi eliminada pela alemã Ella Seidel, apenas a 105º do mundo. Com esse resultado, deve cair do 27º para o 40º lugar do ranking mundial. A tenista tem um estafe completo, que, com certeza, avaliará esse difícil momento. Porém, o ideal é que se afaste temporariamente dos torneios oficiais para se reciclar e se recuperar, como fizeram muitas outras. O tênis é fantástico, mas também muito cruel.