(Reprodução) É óbvio que o sentimento é de frustração. A expectativa geral era de que João Fonseca, o novo fenômeno do tênis brasileiro, superasse ontem o britânico Jack Draper e avançasse para as oitavas de final de Roland Garros, na França (veja abaixo). Esse torneio talvez não seja apenas mais encantador e charmoso do que Wimbledon, da Inglaterra, que ainda mantém tradições como atuar todo de branco e o piso ser de grama natural. Porém, o Grand Slam francês é especial, também por Paris, uma cidade encantadora e repleta de história e beleza. É ainda emocionante pela trajetória construída por Gustavo Kuerten, que ganhou o título por três vezes e encantou os franceses por sua humildade, simpatia e técnica única. É um personagem imortal para a França e para o mundo do tênis. É prematuro comparar os dois tenistas brasileiros, mas é inevitável que João Fonseca inspire a esperança de recolocar um tenista do Brasil entre os melhores do mundo. O último título de Guga ocorreu há 24 anos. De lá para cá apenas conquistas pontuais tanto no masculino como no feminino. De pronto, é importante destacar que Jack Draper, de 23 anos, vive a melhor fase de sua carreira. O britânico, somente este ano, conquistou o Masters 1000 de Indian Wells e foi vice-campeão em Madri, além de, em 2024, ter alcançado a semifinal do US Open, nos Estados Unidos. Por isso, atualmente, é o quinto do ranking mundial. Junte-se a esse breve currículo o fato de ser canhoto – quem pratica tênis, mesmo na condição de amador, sabe da dificuldade de enfrentar um jogador com esse perfil. Draper, ontem, taticamente foi perfeito, evitando ao máximo a troca reta de bolas, que só favoreceria o brasileiro, e demonstrando grande paciência, mesmo o saibro não sendo seu piso preferido. Optou pelas bolas altas, com muito spin (rotação da bola), para manter Fonseca atrás da linha de base e com dificuldade para disparar seus winners indefensáveis. A derrota de João Fonseca é parte do processo de amadurecimento e experiência, ele tem apenas 18 anos e só o tempo dará a maturidade para vencer jogos como de ontem em Paris. As partidas nesse nível exigem muita vivência para perceber a hora de mudar uma estratégia e superar obstáculos. É importante destacar que esse é apenas o segundo Grand Slam do brasileiro, antes tinha disputado apenas o Australian Open, quando caiu na segunda rodada, após vencer na estreia Andrey Rublev, na época número 9 do mundo. Em Paris, João Fonseca venceu dois jogos importantes, ambos por 3 sets a 0: inicialmente, derrotou o polonês Hubert Hurcakz, cabeça de chave número 30 e dono de um dos saques mais potentes do circuito; e depois superou o francês Pierre-Huggues Herbert, especialista em duplas e com títulos de Grand Slam na modalidade. Não dá para cravar que o brasileiro chegará a ser o número 1 do mundo, porém, é inegável seu grande potencial técnico. Tem todos os indícios de que vai evoluir muito e que continuará escalando o ranking mundial. Em Paris, entrou como 65 do mundo e na próxima semana deve aparecer entre 55 e 59. São muitas as opiniões de que João Fonseca é um novo fenômeno do tênis brasileiro. Os elogios e reconhecimento já vieram de jogadores como Novak Djokovic, Nadal e Murray, entre outros. Em Roland Garros, o site oficial do torneio publicou um grande conteúdo sob o título: A Experiência João Fonseca Atinge Paris. E ponderou, textualmente: “Talvez Fonseca seja o novo John Lennon do Tênis... Os fãs parecem se aglomerar para esse garoto magnético oito dias por semana... E eles vão ao extremo para vê-lo”. Com certeza, isso também é consequência do carisma e jeito simples de ser de João Fonseca. Na vitória contra o francês, emocionou o público ao chorar, principalmente pela presença de sua avó. Ao extravasar seu sentimento, marcou um pouco mais sua presença em Roland Garros. Com certeza, um dia ainda viverá a glória que consagrou Guga e principalmente Rafael Nadal. Essa edição de Roland Garros também entrará para a história pela grande homenagem a Rafael Nadal, que simplesmente conquistou o título por 14 vezes. Muitas foram as iniciativas, levando o espanhol às lágrimas. Nas arquibancadas, quase todos usando uma camisa com Merci Rafa, entre eles o também espanhol Carlos Alcaraz, que para muitos será seu sucessor em Paris. Na quadra, reverenciando o ‘Rei de Paris’, simplesmente Roger Federer, Novak Djokovic e Andy Murray, que compuseram durante anos o chamado ‘Big Four’. Hoje resta apenas o sérvio, aos 38 anos, que na semana passada, na Suíça, conquistou o centésimo título de sua carreira. Na quadra central, direto no saibro, próximo na lateral da rede, foi implantada uma placa em homenagem a Nadal, com os dizeres: Rafa Nadal... 14 e uma réplica do troféu. O espanhol, em seu discurso, no final, foi muito feliz: “Vocês me fizeram sentir como um francês”. Fonseca tem tudo para em breve ser um sucessor de Guga e Nadal.